Exército paquistanês repudia condenação de ex-ditador à morte
Pervez Musharraf, que está em Dubai, foi acusado de alta traição por suspender a Constituição e impor um estado de emergência em 2007
Internacional|Da EFE

O Exército do Paquistão declarou nesta terça-feira (17) que a condenação do ex-presidente Pervez Musharraf à morte por alta traição não seguiu o devido processo legal, e disse esperar que a justiça seja feita de acordo com a Constituição.
"O devido processo legal parece ter sido ignorado, incluindo a criação de um tribunal especial, a negação do direito fundamental da autodefesa e a conclusão apressada do caso. As Forças Armadas paquistanesas esperam que a justiça seja feita de acordo com a Constituição da República Islâmica do Paquistão", denunciou em comunicado o Escritório de Comunicações do Exército (ISPR).
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O ISPR afirmou que Musharraf como "ex-chefe do Exército, chefe do Estado-Maior Conjunto e presidente do Paquistão, que serviu o país por 40 anos e lutou em guerras pela defesa do país, nunca pode ser um traidor".
A decisão do tribunal especial, que condenou o ex-general à morte há algumas horas, causou "dor e angústia" entre os membros da instituição militar, segundo a corporação.
Acusado de traição
Musharraf foi condenado à revelia na terça-feira pelo crime de alta traição por suspender a Constituição e impor um estado de emergência em 2007, de acordo com o advogado do condenado, Azhar Siddique.
Este é o primeiro caso do tipo no Paquistão, cuja metade da história foi marcada por governos ditatoriais. Ao longo de 72 anos, o país foi governado por quatro ditadores militares que deram três golpes de Estado, o primeiro em 1958 e o último em 1999. Mesmo quando não ocupa o poder, o Exército exerce grande influência na política externa e na segurança.
Hoje com 76 anos, Musharraf está em Dubai, para onde viajou em março de 2016 alegando problemas de saúde, mas com a promessa de voltar "entre quatro e seis semanas", o que não aconteceu.
Além do caso pelo qual foi condenado, o ex-militar enfrenta várias acusações, como a de não ter protegido a vida da ex-primeira-ministra Benazir Bhuto, assassinada em 2007.
Prisão de juízes
O caso de alta traição começou em 2013, quando Musharraf foi acusado de impor o estado de emergência e decretar a prisão de dezenas de juízes pelo governo do então primeiro-ministro Nawaz Sharif, governante do qual Musharraf tomou o poder em um golpe de Estado em 1999.
Após voltar ao poder em 2013, o governo de Sharif proibiu a saída de Musharraf do país com a denúncia de alta traição, restrição que foi suspensa pelo Tribunal Supremo em 2016.
O militar ocupou a presidência do país entre 2001 e 2008, ano em que se viu obrigado a deixar o país. Musharraf argumenta que as acusações consistem em perseguição política.













