Expansão de assentamentos pode dar vantagem a Netanyahu nas urnas
Palestinos enviaram carta à ONU para questionar decisão israelense
Internacional|Do R7, com agências internacionais

Expandir os assentamentos israelenses nos territórios palestinos está causando uma crise diplomática com a Europa, mas pode ser uma boa aposta para as eleições gerais do dia 22 de janeiro. Essa é a avaliação de especialistas e diplomatas ocidentais sobre a decisão israelense.
Depois que a Assembleia Geral da ONU elevou, na semana passada, o status palestino de "entidade observadora" para "Estado não-membro", Israel anunciou na sexta-feira que construirá mais 3.000 casas de colonos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental — áreas que os palestinos querem para um futuro Estado, além de Gaza.
Cerca de 500 mil israelenses e 2,5 milhões de palestinos vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
Vários países condenaram o plano dos israelenses, incluindo França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Rússia.
Apesar de enfrentar forte oposição internacional, a estratégia pode sair vitoriosa nas urnas, segundo um diplomata europeu entrevistado pela agência de notícias Reuters e que pediu para não ser identificado.
— Nós tínhamos a esperança de que Netanyahu poderia ser mais moderado com os palestinos, mas isso não aconteceu. (...) Nós não queríamos que os palestinos recorressem à ONU nesse momento de eleição em Israel justamente por isso.
Para o diplomata, as decisões de Netanyahu podem ter impacto direto nas eleições a favor de sua coalizão.
Já Tamir Sheafer, cientista político da Universidade Hebraica de Jerusalém, disse que a decisão de Netanyahu é justamente “o que seu eleitorado esperava”.
O especialista israelense sobre o tema dos assentamentos, Daniel Seidemann, disse que o anúncio de construir mais 3.000 casas foi realizado para alcançar um efeito dramático.
— Não significa que não vá acontecer [a construção das casas], mas que o efeito dramático vem antes da decisão.
Palestinos enviam carta à ONU
Em uma carta à Organização das Nações Unidas (ONU), os palestinos acusaram Israel de planejar novos "crimes de guerra" ao expandir os assentamentos judaicos depois que os palestinos obtiveram na ONU o reconhecimento implícito de um Estado próprio e advertiram que o governo israelense precisa ser responsabilizado.
Na carta enviada ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e ao Conselho de Segurança, os palestinos afirmaram que Israel está se comportando "de maneira desonesta, hostil e arrogante, contrariando todos os princípios e regras da lei internacional e reagindo com desprezo à vontade da comunidade internacional".
"Uma mensagem clara deve ser enviada a Israel de que todas essas políticas ilegais precisam ser interrompidas ou serão responsabilizados e terão de arcar com as consequências de suas violações e obstrução aos esforços de paz", escreveu o observador palestino na ONU, Riyad Mansour, na carta com data de segunda-feira.
Após conseguir a elevação de status na ONU, os palestinos agora têm acesso ao Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia — que processa pessoas por genocídio, crimes de guerra e outras graves violações de direitos humanos —, onde podem prestar queixa sobre Israel.
Os palestinos afirmaram que não querem se apressar para recorrer ao TPI, mas advertiram que buscar uma ação contra Israel na corte internacional permanecerá como uma opção, caso Israel continue a construir assentamentos ilegais.
Antes da votação na ONU, alguns países ocidentais fizeram pressão, sem sucesso, para que os palestinos prometessem não processar Israel no TPI.











