Internacional Família de herói de 'Hotel Ruanda' acusa governo de sequestrá-lo

Família de herói de 'Hotel Ruanda' acusa governo de sequestrá-lo

Acusado de terrorismo, Paul Rusesabagina foi apresentado algemado em Kigali; suas filhas dizem que ele foi sequestrado de maneira ilegal em Dubai

Reuters
Rusesabagina foi preso no exterior e levado a Kigali

Rusesabagina foi preso no exterior e levado a Kigali

Clement Uwiringiyimana / Reuters - 31.8.2020

A família de Paul Rusesabagina — retratado como herói em um filme de Hollywood sobre o genocídio de 1994 em Ruanda — acusou nesta terça-feira (1º) as autoridades do país de sequestrá-lo um dia depois de ele ser conduzido diante da mídia algemado na capital, Kigali. Ele vivia exilado na Bélgica e teria sido preso em Dubai, nos Emirados Árabes.

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Rusesabagina foi interpretado por Don Cheadle em "Hotel Ruanda", filme indicado ao Oscar que contou como o gerente de hotel Rusesabagina usou seu emprego e suas conexões com a elite hutu para proteger tutsis fugindo do massacre.

Acusação de terrorismo

A polícia de Ruanda disse que Rusesabagina, que pediu uma resistência armada ao governo em um vídeo publicado no YouTube, foi preso devido a acusações de terrorismo graças a um mandado internacional, o que sua família refuta.

"Ele foi sequestrado e levado por rendição extraordinária a Ruanda", postou sua filha, Carine Kanimba, no Facebook.

Thierry Murangira, porta-voz do Birô de Investigação de Ruanda, disse que isso é falso. "Ele foi preso de acordo com a lei", disse Murangira à Reuters. "Ele foi submetido a um mandado de prisão internacional."

Outra filha, Anaise, disse à rádio BBC World Service que seu pai ligou para a família pela última vez na quinta-feira de Dubai e disse que "jamais iria a Ruanda por vontade própria" — ele se mudou para o exterior após o genocídio.

Autoridades de Dubai, parte dos Emirados Árabes Unidos, não responderam a ligações para pedir comentários sobre a prisão ou qualquer acordo de extradição. Os ministros da Justiça e das Relações Exteriores de Ruanda tampouco responderam a mensagens pedindo comentários.

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