Fazendeiro acusado de massacre de Ferlisburgo ficará preso até julgamento
Internacional|Do R7
Rio de Janeiro, 21 ago (EFE).- Depois de três adiamentos causados por manobras da defesa, o Tribunal de Justiça de Belo Horizonte determinou nesta quarta-feira a prisão preventiva do fazendeiro acusado de ordenar o massacre de cinco trabalhadores sem terra na audiência que marcaria o início do julgamento, apesar da ausência do advogado Sergio Alexander Habib, um dos defensores que pediu um novo adiamento por supostos problemas de saúde. Após atender ao pedido do advogado e marcar um novo julgamento para 10 de outubro, o juiz acatou também um pedido do Ministério Público e ordenou a detenção preventiva do fazendeiro e dos outros três acusados do massacre, que respondiam ao processo em liberdade. O Ministério Público solicitou a detenção por considerar que os advogados estão realizando manobras para adiar o julgamento e por causa da denúncia de que alguns jurados e testemunhas teriam recebido ameaças. Adriano Chafik é o principal acusado do ataque a tiros contra um acampamento de sem terras que aconteceu em outubro de 2004 em Felisburgo, cidade no interior do estado, que matou cinco pessoas e deixou 12 feridas. Conhecido como o Massacre de Felisburgo, o crime aconteceu no acampamento chamado Terra Prometida, onde viviam 200 trabalhadores que esperavam ser assentados pela reforma agrária em uma fazenda de Chafik. O ataque dos pistoleiros aconteceu depois de o Ministério Público rejeitar um pedido do fazendeiro de despejo dos sem terra que tinham invadido sua suposta propriedade a fim de pressionar a desapropriação. O fazendeiro chegou a ficar preso um ano, mas foi libertado por uma medida judicial, e alega que seus empregados tiveram que disparar contra os camponeses para se defenderem de um ataque. A procuradoria acusou Chafik de ser autor intelectual e quatro empregados dele como executores do massacre, um deles já morto. A decisão do juiz de ordenar a detenção provisória dos acusados foi celebrada com aplausos por cerca de 50 integrantes do MST presentes na audiência. Eles ameaçavam organizar um protesto caso o julgamento fosse adiado pela quarta vez, mas ficaram satisfeitos com a prisão provisória. "Estamos satisfeitos com o Poder Judiciário porque as artimanhas da defesa dos réus não foram totalmente acatadas pelo juiz", afirmou Enio Bohnenberger, um dos coordenadores nacionais do MST. EFE cm/cd/rsd











