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Figueiredo afirma que Unasul demonstrou capacidade de mediação na Venezuela

Internacional|Do R7

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Brasília, 16 abr (EFE).- A participação da Unasul no diálogo com o qual o governo e a oposição tentam resolver a atual crise na Venezuela demonstra a capacidade do organismo regional como mediador nos problemas da região, afirmou nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo. A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) "deu mostras de grande vigor como espaço para a concertação política" na região, disse Figueiredo em entrevista coletiva hoje em Brasília, após ter participado na terça-feira do diálogo a portas fechadas entre governo e oposição venezuelana. "A América do Sul demonstrou sua capacidade de encontrar soluções próprias em um ambiente de paz, harmonia e coordenação regional", acrescentou o ministro. Figueiredo destacou que as duas partes aceitaram "a mediação de um terceiro de boa fé" integrado de forma conjunta pela Unasul e o Vaticano. O diálogo foi estipulado no meio de uma grave situação na Venezuela, que há mais de dois meses vive protestos contra o governo de Nicolás Maduro e que em algumas ocasiões terminaram em incidentes violentos, com um saldo até agora de 41 mortos e centenas de feridos. "O convite à Unasul pelas duas partes demonstra a confiança e o desejo que a região participe (na busca de uma solução)", assegurou Figueiredo. O chefe da diplomacia brasileira acrescentou que as duas partes do diálogo na Venezuela estão conscientes "que nossa intenção (da Unasul) é apenas a de apoiar um esforço dos venezuelanos entre si que, de fato, são os que darão as respostas a seus problemas". O ministro explicou que, após as reuniões que os chanceleres dos países da Unasul tiveram há duas semanas com diferentes interlocutores na Venezuela, ambas partes pediram que os representantes de Brasil, Colômbia e Equador se juntassem aos do Vaticano como mediadores do diálogo na qualidade de "terceira parte de boa fé". "Aconteceu então uma alteração do mandato inicial, que era apenas o de acompanhante a pedido do governo da Venezuela", ressaltou. De acordo com Figueiredo, "agora se trata de um pedido tanto do governo como da Mesa de Unidade Democrática (MUD, que agrupa vários partidos da oposição) para participar de todas as conversas; apoiar o diálogo e ter um papel de 'fiador' desse diálogo". "Estou muito satisfeito com a experiência. É gratificante fazer parte desse esforço. Ainda há um grande espaço para avançar", acrescentou. Igualmente afirmou que os chanceleres dos países da Unasul participarão de todas as reuniões em nível político para discutir assuntos políticos e que tenham participação de alto nível de ambas partes. "Mas não há dúvida que há certas coisas que serão discutidas em nível técnico. Haverá mesas de trabalho em nível técnico, especialmente para abordar o relacionado a assuntos como a economia. Dessas reuniões não participarão os chanceleres de Unasul, que serão representados pelos embaixadores em Caracas", afirmou. Figueiredo garantiu que o governo e a oposição deram vários passos importantes na reunião de quase quatro horas do terça-feira e mostraram a grande vitalidade que pode ter o processo. "A chave desse diálogo foi o espírito de respeito mútuo e consideração pela opinião do outro", comentou. Entre os avanços alcançados na reunião, o ministro citou o consenso de ambas partes de rejeitar a violência, "venha de onde venha", e de respeitar o marco constitucional da Venezuela. Além disso, citou o compromisso para a criação de uma Comissão da Verdade que investigue tudo que ocorreu durante os distúrbios dos últimos meses e a decisão de governadores e prefeitos de partidos da oposição de somar-se a um projeto do governo para combater a criminalidade e a violência. Figueiredo destacou assim a decisão da MUD de participar do diálogo já existente entre o governo e as forças econômicas, assim como a possibilidade que a oposição sugira medidas para fazer frente à crise econômica. Para o chanceler foi também importante a disposição do governo de discutir casos pontuais dos chamados "presos políticos" pela oposição, que pede uma lei de anistia. EFE cm/rsd

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