Internacional Fome decorrente da seca ameaça 11 milhões de pessoas no sul da África

Fome decorrente da seca ameaça 11 milhões de pessoas no sul da África

'A seca deste ano não tem precedentes e provoca escassez de alimentos em escala nunca vista', advertiu a direção da Cruz Vermelha na região

fome e seca na África

Peixes secos e restos de brinquedos coletados de represa que secou na África do Sul

Peixes secos e restos de brinquedos coletados de represa que secou na África do Sul

Mike Hutchings / Reuters - 14.11.2019

A fome causada pela seca sem precedentes no sul da África ameaça a vida de cerca de 11 milhões de pessoas, como alertou a Cruz Vermelha nesta quinta-feira (12).

"A seca deste ano não tem precedentes e está causando escassez de alimentos em uma escala que nunca antes tínhamos visto aqui", advertiu o diretor para a África Austral da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC), Michael Charles.

"Estamos vendo pessoas passando dois ou três dias sem comida, rebanhos inteiros de gado exterminados pela seca e pequenos agricultores que não têm como ganhar dinheiro", acrescentou.

Zâmbia e Zimbábue sofrem mais

Segundo a Cruz Vermelha, a Zâmbia e o Zimbábue são os países onde a fome aumentou mais em comparação com o ano passado, com 2,3 milhões e 3,6 milhões de pessoas que já sofrem de escassez aguda de alimentos, respectivamente.

Botsuana, Lesoto e Namíbia também declararam uma emergência de seca, e em Essuatíni (ex-Suazilândia) 24% da população rural sofre com falta de comida.

"A situação vai piorar por causa da falta de chuva ou de chuvas tardias na região", diz a nota, que também estima que a colheita deste ano será reduzida em 30%.

Cataratas de Vitória também sofrem com a seca

Cataratas de Vitória também sofrem com a seca

Mike Hyrching / Reuters - 5.12.2019

Seca acaba com tudo

"Pessoas como eu viviam de cabras e gado pequeno que tínhamos em casa. Mas agora tudo está morto por causa da seca. Eu não tenho mais nada", disse Hiriua Maharukua, um agricultor idoso no noroeste da Namíbia, à IFRC.

Ele também ressalta que em áreas como a dele, mal há água suficiente para beber e que a água escura dos lagos os expõe a doenças como a cólera.

"Tentamos sobreviver à seca. No passado, sobrevivemos com os nossos pomares durante os períodos secos. Costumávamos trabalhar nas nossas colheitas. Mas agora nada disso sobrevive", lamentou.

Para aliviar a situação, a Cruz Vermelha está apelando ao aumento da ajuda humanitária para chegar a até oito países do sul da África.

R$ 32 milhões para conter crise

A organização especula que são necessários cerca de 7 milhões de euros (R$  32 milhões) para conter a crise entre as comunidades mais afetadas em um período de 14 meses.

"Como um coletivo humanitário, precisamos tomar medidas imediatas para responder aos milhões (de pessoas) que enfrentam a fome iminente. O que é ainda mais importante é a nossa responsabilidade de reforçar a resiliência das comunidades e a sua capacidade de adaptação aos desafios de hoje. Caso contrário, nunca acabaremos com a fome na região", enfatizou Charles no texto.

Após a estação seca, a África Austral vem atravessando uma grave seca no início da atual estação chuvosa, que normalmente acontece de outubro a abril.

Nessa região, de acordo com dados do Instituto de Mudança Global (GCI) da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, as temperaturas cresceram mais de duas vezes mais rápido que o ritmo do aquecimento global.

Caso se mantenham os níveis de emissões poluentes atuais, acredita-se que a temperatura na região aumentará 5 ou 6 graus até o final deste século, uma média acima do risco para o restante do planeta.

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