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Gibraltar acusa Espanha de fazer ameaças típicas de ditaduras

Chanceler espanhol disse que país vai endurecer política com relação ao território britânico

Internacional|Do R7

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Motoqueiros esperam na fila para cruzar a fronteira com a Espanha, na colônia britânica de Gibraltar
Motoqueiros esperam na fila para cruzar a fronteira com a Espanha, na colônia britânica de Gibraltar

As tensões a respeito de Gibraltar cresceram nesta segunda-feira (5), quando o ministro-chefe do território britânico acusou a Espanha de tomar atitudes semelhantes às da Coreia do Norte, após o governo espanhol ter considerado impor uma cobrança de taxa para atravessar a fronteira e controlar o espaço aéreo.

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, está "seriamente preocupado" com a situação no território britânico e exigiu uma explicação do governo espanhol sobre as propostas, disse o porta-voz do premiê.


O ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, sinalizou uma posição mais dura sobre a questão no domingo (4), dizendo que "a festa acabou". Ele aparentemente se referia aos anos de políticas mais suaves sobre Gibraltar por parte do governo socialista anterior.

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O governo espanhol considera cobrar 50 euros (R$ 152) pelo cruzamento da fronteira, realizar um investigação fiscal de cidadãos de Gibraltar que possuem propriedades na Espanha e fechar o espaço aéreo a aviões que sobrevoam a Espanha para pousar no aeroporto do território.

A Espanha disputa com a Grã-Bretanha a soberania sobre Gibraltar, um território no extremo sul espanhol que abriga cerca de 30 mil pessoas e cuja economia é na maior parte formada por bancos internacionais, empresas de jogos de azar na internet e turismo. Gibraltar está sob domínio britânico há 300 anos.


Tensões diplomáticas sobre o território cresceram há dez dias, quando barcos de Gibraltar jogaram blocos de concreto ao mar para criar um recife artificial na entrada do Mediterrâneo. A Espanha alega que o recife pode bloquear a passagem de seus barcos pesqueiros.

O ministro-chefe de Gibraltar, Fabian Picardo, disse que as propostas eram uma "política de loucura" e que "o inferno vai congelar" antes de ele remover o recife das águas do território, cedido à Grã-Bretanha em 1713.


"Ele faz ameaças retóricas à la Coreia do Norte. Ele quase faz sentir como se estivéssemos ouvindo a política de Franco na década de 1950 e 60", disse Picardo à Sky News, referindo-se ao ditador fascista que governou a Espanha entre 1936 e 1975 e queria recuperar Gibraltar.

A Grã-Bretanha repetiu que não deixará a soberania do território ser comprometida. O porta-voz de Cameron disse que o embaixador espanhol em Londres havia sido convocado na sexta-feira para escutar as preocupações britânicas sobre a questão.

"Continuamos seriamente preocupados com os acontecimentos na fronteira entre Espanha e Gibraltar", disse o porta-voz a repórteres.

— Estamos buscando uma explicação [do governo espanhol] sobre os relatos de que podem submeter Gibraltar a novas medidas.

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