Governo britânico perde recurso para deportar clérigo radical islâmico
Internacional|Do R7
Londres, 27 mar (EFE).- O Governo britânico se mostrou derrotado nesta quarta-feira ao perder seu último recurso para deportar o clérigo radical islâmico Abu Qatada, requerido pela Jordânia por crimes de terrorismo e ao que o Reino Unido considera uma ameaça para segurança nacional. O Tribunal britânico de apelações reafirmou a decisão tomada no último mês de novembro pela Comissão especial de apelações de imigração (SIAC), que, por sua vez, desautorizou a deportação de Qatada ao seu país de origem devido ao risco de seu julgamento contar com testemunhas obtidas sob tortura. Em comunicado, o Ministério do Interior, liderado pela conservadora Theresa May, assegurou que "este não é o fim do caminho" e adiantou que buscará outra maneira para voltar a recorrer. "Examinaremos esta sentença minuciosamente e temos intenção de apresentar outro recurso", detalhou a nota. "O Governo britânico seguirá trabalhando com os jordanianos para abordar os assuntos legais que previnem essa deportação", acrescentou o comunicado. A decisão de hoje significa que Qatada, que chegou ao Reino Unido como exilado em 1994 e não foi acusado de nenhum crime no país, poderá permanecer em território britânico com sua família. Agora, após essa decisão, espera-se que os advogados do clérigo islâmico solicitem sua liberdade sob pagamento de fiança, algo que ele já tinha. No entanto, no início deste mês, Qatada foi detido em prisão preventiva por supostamente ter quebrado as condições de sua liberdade condicional, que, entre outras coisas, proibiam o uso de celulares. Segundo os analistas, após perder este último recurso, o Ministério do Interior terá uma difícil missão para conseguir deportar Qatada, a quem a Justiça jordaniana quer voltar a processar por crimes de terrorismo pelos quais foi condenado ainda em 1999. Durante o julgamento que foi concluiu hoje, o Governo insistiu que "não existe um risco real" para Qatada na Jordânia, já que o Reino Unido conseguiu obter importantes garantias diplomáticas. No entanto, a Justiça britânica considerou que estas garantias são insuficientes e, por isso, bloqueou sua deportação em uma batalha legal que já se estende por mais de 10 anos. Esta mesma posição foi tomada anteriormente pelo Tribunal europeu de direitos humanos, que também se opôs à deportação do clérigo ao considerar que havia risco de seu julgamento ser baseados em provas obtidas sob tortura. O imã jordaniano-palestino de 52 anos é requerido pela Justiça da Jordânia para voltar a ser julgado por uma conspiração terrorista contra turistas pela que já foi condenado à revelia em 1999 e 2000. Até agora, Qatada ganhou todas suas batalhas legais no Reino Unido, onde esteve preso quase sete anos sem acusações e sem julgamento. EFE jm/fk












