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Governo turco e ativistas não cedem em queda de braço que já dura uma semana

Internacional|Do R7

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Luis Lidón. Istambul, 7 jun (EFE).- O governo da Turquia e os ativistas que ocupam a praça Taksim, em Istambul, continuaram nesta sexta-feira sua queda de braço sem que nenhum lado tenha cedido em suas posições, com o Executivo exigindo o fim dos protestos e os manifestantes afirmando que não abandonarão o local até o que suas reivindicações sejam atendidas. A polícia não entrou mais na praça localizada no centro de Istambul desde que deixou a área no sábado passado, quando milhares de pessoas ocuparam o parque Gezi (considerado a origem dos protestos) e as manifestações antigoverno se estenderam pelas principais cidades do país. O primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, após chegar de uma viagem pelo Magrebe, exigiu que as manifestações terminem "imediatamente". Sua palavras, no entanto, não surtiram o menor efeito entre os ativistas. "Devem pôr fim imediatamente às manifestações que derivaram em vandalismo e anarquia absoluta", disse diante de milhares de pessoas que se reuniram durante a madrugada na primeira manifestação a favor de Erdogan, animada por cantos como "Somos soldados de Tayyip" e "Deus é grande, esmagaremos Taksim". Erdogan reconheceu que a polícia se excedeu em reprimir os primeiros protestos ambientais para proteger o parque Gezi e que se transformaram em uma crítica a sua gestão autoritária e que não procura acordos em assuntos sensíveis. O primeiro-ministro fez seu discurso em um ônibus conversível de seu partido, o islamita moderado AKP, o que gerou as críticas da oposição, que o acusou de só governar para seus eleitores. Horas depois, o comissário de Ampliação da União Europeia (UE), Stefan Fule, disse a Erdogan que os protestos não afetarão o processo de negociação para a futura adesão da Turquia ao bloco europeu, mas lembrou que os abusos policiais não têm cabimento em uma democracia. Por sua parte, os ativistas acampados no parque Gezi declararam que não têm nenhuma intenção de sair do local até que o plano urbanístico que prevê sua demolição seja anulado e os responsáveis pelos excessos da polícia destituídos. Na realidade, não parece que os milhares de cidadãos que agora circulam pelo espaço verde, entre ambulantes que vendem comida e artesanato e oficinas improvisadas de pintura se sintam afetados pelas exigências de Erdogan. Cada vez aumenta mais o número de turistas que fotografam o colorido ambiente da praça, cheia de bandeiras, cartazes e vendedores, que oferecem desde alimento até máscaras para limitar o efeito do gás lacrimogêneo. "Estamos há dez dias aqui e não houve problemas, só há feridos quando a polícia entra atacando. Não fazemos mal a ninguém e aqui seguiremos", disse Atakan Savas, ativista de 29 anos que está desde o primeiro dia no acampamento. "Não tenho medo. Se a polícia quer vir, que venha", bradou. "Erdogan insistiu em seu projeto de reformar o parque e construir esses quartéis otomanos no lugar. Isso quer dizer que não nos escuta, não faz pouco caso do povo e fala como se quisesse provocar mais violência", questionou uma jovem estudante de ciências políticas. O movimento de protesta, que aglutina um amplo setor das classes médias urbanas, é um dos maiores desafios ao poder de Erdogan, que venceu as três últimas eleições legislativas com uma ampla maioria. A camada da população insatisfeita com o governo teme uma perda de liberdade, com leis que pouco a pouco afetam a vida privada e se baseiam em critérios religiosos, em uma das poucas democracias muçulmanas com uma Constituição laica. A jornada de hoje transcorreu com tranquilidade e sem incidentes de destaque, embora em Ancara um grupo acampado em um pequeno parque tenha sido retirado. A polícia negociou a desocupação e não foi preciso o uso da força, segundo o jornal "Hurriyet". EFE ll-iut/dk (foto)

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