Grandes marcas ignoram escravidão infantil de propósito, diz cineasta
Documentário lançado nesta sexta-feira (23) mostra crianças trabalhando em plantações de cacau em Gana, fábricas na Índia e fazendas de tabaco nos EUA
Internacional|Do R7

Crianças de até 5 anos de idade estão sendo traficadas ou forçadas a trabalhar para empresas que fornecem materiais para algumas das maiores marcas do mundo, que adotam uma "ignorância proposital" do problema, diz a diretora de cinema Shraysi Tandon.
Ela acaba de apresentar o documentário "Invisible hands" ("Mãos invisíveis", em tradução livre), que mostra crianças vítimas da escravidão moderna trabalhando em plantações de cacau em Gana, fábricas de acessórios na Índia e fazendas de cultivo de tabaco nos Estados Unidos.
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"Elas não estão nem um pouco escondidas", disse Shraysi à Thomson Reuters Foundation por telefone antes da estreia do filme em Nova York, nesta sexta-feira (23).
Ela afirmou que grandes empresas demonstram ignorar propositalmente o trabalho infantil em suas cadeias de fornecimento porque consideram muito caro e complicado lidar com o problema.
150 milhões de crianças trabalhando
Mais de 150 milhões de crianças trabalhavam em todo o mundo em 2017, segundo um relatório da Organização Internacional do Trabalho, e a Organização das Nações Unidas (ONU) disse que desastres climáticos e conflitos condenaram milhões delas ao trabalho infantil.
Shraysi disse que a média de idade das crianças com as quais conversou durante a filmagem era de 12 anos, mas que a mais jovem era uma menina de quatro ou cinco anos trabalhando em uma fazenda de cultivo de tabaco na Indonésia.
"Ela estava amarrando as folhas de tabaco a uma vara, e ela era tão pequena que só erguer uma ou duas folhas de tabaco já era difícil para ela", contou.
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O efeito do trabalho infantil muitas vezes dura toda a vida, disse, já que as crianças são expostas a produtos químicos perigosos e maquinário pesado, e a falta de estudo também limita suas possibilidades de trabalho.
"Elas são extremamente vulneráveis e suscetíveis a todas as formas de exploração".
Em muitos casos, as crianças são expostas a condições piores do que os adultos, disse, porque providenciar equipamentos de segurança de seu tamanho equivaleria a um reconhecimento tácito de sua existência entre a mão de obra.
Tráfico e abuso
Algumas crianças também são traficadas, e muitas sofrem abusos sexuais dos adultos que as controlam.
"Se as crianças fazem um bom trabalho são agredidas sexualmente, e essa é sua 'recompensa', e se fizerem besteiras também são espancas, punidas e agredidas sexualmente", disse.
Enquanto isso, grandes marcas não estão fazendo esforços suficientes para eliminar o trabalho infantil e o tráfico de pessoas de suas, muitas vezes complexas, cadeias de fornecimento, porque vêem as medidas como muito difíceis ou onerosas, disse Shraysi.
"Elas estão competindo no mercado global, e se você quer manter os custos baixos e os lucros altos você tende a ignorar essas coisas".
A diretora pediu que empresas mapeiem e inspecionem seus fornecedores e que consumidores pesquisem se trabalho infantil pode ter sido usado para fabricar os produtos que compram para exigir mudanças.
"As empresas agem quando sua marca ou reputação está sendo ameaçada".
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