Grupo de autodefesa mostra força ao tomar cidade no México
Internacional|Do R7
Chilpancigo (México), 27 mar (EFE).- Um grupo de autodefesa concluiu nesta quarta-feira a tomada de uma cidade de 20 mil habitantes após um pacto com as autoridades que incluiu a destituição de um chefe policial, na mais recente demonstração de força dessas facções que proliferaram no México. Centenas de homens armados se retiraram esta manhã de Tierra Colorada, no estado de Guerrero, 24 horas após ter controlado a cidade e detido 12 policiais municipais e seis civis aos quais acusaram de fazer parte ou colaborar com o crime organizado. Os detidos foram entregues ontem à noite às autoridades e estão submetidos à detenção provisória como parte de um acordo em que a procuradora de Guerrero, Martha Elva Garzón, se comprometeu a indiciar os responsáveis pelo assassinato, na segunda-feira passada, do "comandante" Guadalupe Quiñonez, do grupo de autodefesa. Bruno Plácido, líder da União de Povos e Organizações do Estado de Guerrero (UPOEG), da qual faz parte o agrupamento armado, considerou o assassinato de Quiñonez como "um desafio do crime organizado contra nós". Entre os policiais entregues está o chefe da Polícia Municipal de Juan R. Escudero, Óscar Ulises Valle, a quem o movimento comunitário acusou de cumplicidade com os criminosos. Como parte do acordo com os líderes do movimento, a prefeita de Juan R. Escudero, Elizabeth Gutiérrez, ofereceu pôr a consideração da assembleia local a destituição de Valle, moção que foi aprovada e entrou em vigor ontem mesmo. O "comandante" Ernesto Gallardo disse à Agência Efe por telefone que pelo menos dois mil integrantes do movimento se retiraram na madrugada de hoje de Tierra Colorada, sede do governo municipal de Juan R. Escudero e localizada entre a capital estadual, Chilpancingo, e o turístico porto de Acapulco, no Pacífico mexicano. Desde janeiro novos grupos de autodefesa operaram principalmente na região da Costa Chica de Guerrero, onde detiveram dezenas de supostos criminosos nos municípios de San Marcos, Copala, Ayutla de Los Libres, Tecoanapoa, Cruz Grande e agora Juan R. Escudero. Tais grupos, surgidos da saturação de muitas comunidades assoladas pelo crime organizado e a incapacidade das autoridades encarregadas de brindar segurança, operam com grande tolerância por parte dos governos tanto locais como nacionais. O subsecretário de Normatividade da Secretaria de Governo, Eduardo Sánchez, disse que o governo do presidente Enrique Peña Nieto tentará que os cidadãos que optaram por agrupar-se "nestas organizações de autodefesa se encaminhem para o espaço adequado para que a participação cidadã possa colaborar com os esforços do governo e que cada um tome seu lugar". No entanto, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) rejeitou a formação destes agrupamentos irregulares. A Comissão "não nega nem minimiza o fato de que a aparição dos grupos de autodefesa responda a um ato desesperado da população pelas omissões do Estado em matéria de segurança pública", indicou o organismo autônomo em fevereiro. No entanto, expressou sua preocupação "pela existência de grupos armados com interesses diferentes do da autodefesa que quebrem a estabilidade das instituições, uma vez que existe uma linha muito tênue entre essas organizações e os grupos paramilitares". Essa advertência do organismo defensor dos direitos humanos ganhou força o no último dia 7 de março, quando o Exército mexicano capturou 34 membros de um suposto grupo de autodefesa, apontados como supostos criminosos que operam no estado de Michoacán, próximo a Guerrero. EFE msc-lo/rsd (foto)












