Logo R7.com
RecordPlus

Guerra da Ucrânia arranca a máscara dos supremacistas europeus e seus preconceitos

Não se deve negligenciar o discurso hipócrita que busca esconder, por trás de ações humanitárias, o tratamento hostil a outros povos 

Internacional|Marco Antonio Araujo, do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Na foto, um campo de refugiados sírios, hostilizados por boa parte da comunidade europeia
Na foto, um campo de refugiados sírios, hostilizados por boa parte da comunidade europeia

A Europa já não faz mais questão de esconder que é um território em que negros e árabes não são bem-vindos. O tratamento dado a refugiados da guerra na Ucrânia deixa esse preconceito bem claro. Do alto de sua soberba, países do continente adotam medidas desavergonhadamente supremacistas para expulsar ou acolher imigrantes – discriminados com base em suas origens e cor da pele.

A guerra em andamento no antigo Leste Europeu serve ao menos para desmascarar a hipocrisia com que tanto se reclamou das diversas “crises migratórias” que teriam ocorrido neste breve século 21 e no passado mais que recente, ainda vivo na memória de sírios, iraquianos e afegãos, por exemplo.


Polônia, Hungria e Romênia, hostis e violentas com refugiados de conflitos sangrentos fora do cinturão branco desse imaginário ultranacionalista, agora se destacam pela solidariedade aos ucranianos.

“Trata-se de um povo amigo.” Assim se referiu aos ucranianos o premiê húngaro Viktor Orbán – aquele mesmo que, na década passada, investiu 120 milhões de euros para erguer uma cerca em sua fronteira. A Hungria chegou até a impor um pacote de medidas que puniam com prisão os compatriotas que ousassem prestar ajuda a imigrantes.


Em 2015, a Europa, quase em uníssono, reclamou da tal “crise de refugiados” quando 1,4 milhão de sírios buscavam refúgio da guerra sangrenta e cruel. Foram tratados como inimigos. A mesma região absorveu gentilmente 2 milhões de ucranianos (igualmente devastados) em apenas alguns dias.

Países são soberanos ao decidir que rumo adotar em questões tão graves. O que não se pode negligenciar, ressalte-se, é a presença desse discurso cínico e extremamente preconceituoso que serve de alimento e pasto ao pior tipo de ser humano, aquele que se considera superior aos demais. Já vimos esse filme, no mesmo cenário. Não acaba bem.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.