Intenso esforço diplomático marca última parte de negociação nuclear com Irã
Internacional|Do R7
Isabel Saco e Sara Gómez Armas. Genebra, 22 nov (EFE).- As principais potências que negociam com o Irã a forma de garantir a aplicação pacífica de seu programa nuclear realizaram nesta sexta-feira um grande esforço diplomático para impulsionar um acordo histórico que pode ser anunciado amanhã, após dez anos de confronto entre Teerã e Ocidente. O primeiro passo foi dado hoje pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que, de forma surpreendente, chegou a Genebra à tarde para incorporar-se à última parte das negociações, que se prolongarão um dia mais, e nas quais só resta um grande tema a resolver. A chegada nas primeiras horas de sábado do secretário de Estado americano, John Kerry, reforça a ideia de que resta pouco para fechar o texto deste acordo preliminar, cuja duração seria de seis meses. Durante esse período, as partes negociariam um acordo global e definitivo para deixar para trás as inquietações internacionais sobre o desenvolvimento nuclear do Irã. O enriquecimento de urânio dentro das fronteiras iranianas e o tratamento que deve dar-se ao reator nuclear de Arak, localizado ao oeste do país, foram os dois últimos temas mais controvertidos desta rodada de negociação. O primeiro está praticamente fechado porque o texto que se negocia não pretende negar ao Irã a possibilidade de continuar com o enriquecimento de urânio - um direito, desde a perspectiva de Teerã -, mas a pôr sob estrito controle este tipo de atividade. Os negociadores do grupo conhecido como G5+1 (Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido, China e Alemanha) destacaram, cobertos pelo anonimato, que o que foi possível negociar com o governo iraniano tinha a ver com o nível de enriquecimento permitido, a vigilância das reservas com as quais conta, assim como dos locais de produção. Por ter conseguido enriquecer urânio a um nível de 20%, o Irã possui e controla a capacidade tecnológica para ir até 90% em um tempo relativamente curto, se assim desejar, e que só poderia interessar-lhe se pretende obter uma bomba nuclear. Nesta noite, o único ponto-chave que ficava aberto era o referente ao reator nuclear de Arak, uma usina que está em construção há vários anos e que as autoridades do Irã afirmam que tem por objetivo produzir radioisótopos médicos e gerar 40 megawatts de energia. No entanto, um produto derivado destas atividades será o plutônio, um elemento que pode ser igualmente utilizado com fins militares, para a fabricação de uma bomba nuclear, em substituição do urânio enriquecido. A posição mais dura a este respeito foi a colocada pela França, que exigia que se suspendesse de forma definitiva os trabalhos de construção, enquanto os demais países consideravam suficiente obter do Irã o compromisso que não a poria pra funcionar até que não se pudessem implementar mecanismos de vigilância externos. O principal desafio agora é transferir a uma linguagem diplomática e aceitável para todas as partes que o Irã tem, nos fatos, direito a enriquecer urânio, embora a um nível máximo que estaria ao redor de 5% e que pode seguir construindo um reator que produza plutônio. A contrapartida é que Teerã deverá aceitar um reforço das inspeções por parte da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com base em um protocolo adicional que seria um anexo do acordo a ser apresentado este fim de semana. Deste acordo, o Irã obteria claros benefícios econômicos, pois reverteria parcialmente - embora ainda em pequena proporção - os efeitos das sanções impostas há alguns anos por Estados Unidos e União Europeia. O impacto destas foi muito duro para o Irã, pois fizeram-no perder US$ 120 bilhões desde a entrada em vigor unicamente das sanções americanas, o que por sua vez foi em parte a razão da queda de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 e da perda de valor da moeda nacional em 60% em relação ao dólar desde 2011. Os EUA disseram oficialmente que a intenção é, por enquanto, abrandar as sanções para um valor de entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões. EFE is-sga/rsd (foto)












