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Irã aguarda pacto nuclear cansado de esperar e agradecido a seus negociadores

Internacional|Do R7

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Álvaro Mellizo. Teerã, 13 jul (EFE).- O Irã viveu nesta segunda-feira as últimas horas prévias ao previsível anúncio de um acordo nuclear com as potências do Grupo 5+1 esgotado pela interminável espera e as contínuas ampliações do prazo limite e agradecido pelo trabalho de seus negociadores em Viena. Enquanto nos salões do Palácio Coburg de Viena os delegados de Irã, Estados, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha debatiam e davam os últimos retoques no acordo, adiando pela quarta vez o prazo estabelecido para encerrar as negociações, nas ruas de Teerã as pessoas encaravam a situação com calma, mas fartas de esperar por um pacto que quase todo o mundo dá como certo. "Tomara que não estejam muito cansados", com esse tradicional ditado persa dirigido aos negociadores nucleares, os cidadãos da República Islâmica reconheciam pela rua o intenso trabalho e seu duro esforço destas últimas semanas, assim como sua paciência e perseverança para defender as "linhas vermelhas" do país perante os EUA. A jornada de hoje foi esgotadora quanto a notícias e rumores sobre a iminência de um acordo em Viena, que ao final não ocorreu até meia-noite no Irã, para o lamento de seus cidadãos, ansiosos pelo fim do longo processo negociador. Matin, um jovem desempregado, disse à Agência Efe que as possibilidades de um acordo são "50-50", fundamentalmente porque os EUA "sempre mudam sua palavra no último momento", apesar de "todo mundo no Irã querer que seja alcançado". "Agora a maioria das pessoas aqui estão desempregadas, não só eu, a maioria nesta praça, tomara que se chegue a um acordo e se organize um pouco e que as pessoas voltem a seus dias bons e alegres", afirmou o jovem, enquanto apontava para um grupo que se preparava para dormir em um parque do norte de Teerã. Outros, como Iman, que realizava a poucos metros o fim do jejum do Ramadã em um restaurante da mesma praça, reconheceu tanto a alegria por um possível acordo como o "desapontamento" que o prolongamento das negociações causou em seus compatriotas. "As pessoas estão um pouco perdidas com o assunto, mas estou certo que amanhã realizaremos uma festa nuclear. Amanhã o senhor Zarif (Mohamad Javad, principal negociador nuclear iraniano) merecera um especial 'não esteja cansado'", acrescentou. Um ulemá que não quis identificar-se também elogiou o trabalho dos negociadores iranianos e indicou que, aconteça o que acontecer em Viena, "o vencedor definitivo" das negociações será "a República Islâmica" por ter feito "todo seu esforço para mostrar ao mundo que sua ciência nuclear é totalmente pacifica". Este jovem religioso atribuiu o atraso nas negociações a um possível desígnio divino, já que, segundo disse, "é possível que Deus queira que o anúncio de seu final coincida com o Eid Fetr", a festa do final do Ramadã que este ano cairá no dia 17 de julho. Setare Layevardi, uma estudante que tomava um café na mesma região, também mostrou sua esperança por um acordo, sobre o qual disse que não foi anunciado ainda "porque o problema está nas palavras e no modo de redigi-lo". Apesar de seu entusiasmo pelo acordo, também reconheceu estar "cansada" de esperar da mesma forma que muitos de seus compatriotas, que, por essa razão, já não acompanham as negociações com o mesmo afinco. A única nota discordante nesta espera foi dada por Rambod, um homem que colhia ajuda para organizações beneficentes na porta de uma mesquita e que afirmou que a negociação devia ter terminado há muito tempo com os iranianos deixando a mesa vazia. "Não se pode negociar com os EUA, várias vezes mudaram sua palavra e os iranianos já passamos por isso antes. Os negociadores deveriam ter voltado há muito tempo", opinou. EFE amr/rsd (vídeo)

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