Iraque: presidente rejeita candidato a premiê e coloca cargo à disposição
Barham Saleh está no poder há mais de um ano e disse que decisão poderia fazer com que protestos, que já deixaram mais de 500 mortos, acabassem
Internacional|Da EFE

O presidente do Iraque, Barham Saleh, rejeitou quinta-feira (26) o candidato a primeiro-ministro apresentado pela coligação Al Bina, Asad al Eidani, e colocou o próprio cargo à disposição do Parlamento.
"Coloco o meu cargo nas mãos dos membros do Conselho dos Deputados para decidir, com suas responsabilidades como representantes do povo, o que acharem melhor", disse o governante em carta.
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Saleh, que está no poder há pouco mais de um ano, argumentou que tomou a decisão para "acabar com o derramamento de sangue e proteger a paz" no país, que desde 1º de outubro tem sido cenário de violentos protestos contra a corrupção e o desemprego. Mais de 500 pessoas já morreram nos distúrbios.
O presidente iraquiano também disse que a nomeação de um candidato sem saber ao certo qual é o bloco parlamentar com mais assentos "pode representar uma violação do texto constitucional".
"Com todo o meu apreço ao Sr. Asad al Eidani, abstenho-me de o nomear como candidato do bloco Al Bina, já que a presidência da República recebeu várias cartas sobre o bloco parlamentar com o maior número (de assentos), mas que são contraditórias", explicou Saleh.
Atraso para achar substituto
O prazo para nomear um substituto para o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi expirou novamente em 23 de dezembro, após um impasse sobre o qual era o maior bloco que envolvia o Supremo Tribunal Federal, o presidente do Legislativo e o próprio Saleh.
Na semana passada, o segundo maior partido no Parlamento, Al Fath, nomeou o presidente como candidato, Qusay al-Suhail, nome rejeitado pelos manifestantes quando ministro do Ensino Superior no gabinete do ex-primeiro-ministro.
Após a desistência da candidatura de Al Suhail, o bloco Al Bina, também composto por Al Fath e que reivindica o maior número de assentos, apresentou Asad al Eidani, o governador da cidade sulista de Basra e uma figura muito próxima do Irã, como candidato.
Centenas de manifestantes foram às ruas de Bagdá e em várias cidades do sul do país nesta quinta-feira para rejeitar Eidani e exigir a nomeação de um primeiro-ministro independente que não tenha sido membro de governos anteriores.














