Jogo sujo marca primeiro dia das eleições presidenciais tchecas
Internacional|Do R7
(Acrescenta fechamento das urnas e dados da participação). Gustavo Monge. Praga, 25 jan (EFE).- Em eleições mais sujas do que se poderia imaginar, os tchecos foram nesta sexta-feira às urnas no primeiro dia da disputa presidencial entre um ex-comunista de 68 anos e um aristocrata europeísta de 75 anos. Após o fechamento dos colégios eleitorais, foi registrada uma participação de cerca de 40%, um pouco maior que a do primeiro turno há duas semanas. Amanhã os tchecos também poderão exercer seu direito ao voto. A expectativa era por um duelo de cavalheiros entre o ex-primeiro-ministro social-democrata, Milos Zeman, e o atual titular das Relações Exteriores de sangue azul, Karel Schwarzenberg, mas o irado confronto continuou hoje inclusive após a abertura dos colégios eleitorais. O jornal de maior tiragem do país, o sensacionalista "Blesk", publicou hoje um anúncio de página inteira no qual desaconselhou o voto em Schwarzenberg, tachando-lhe de vassalo dos "alemães dos Sudetes", em referência aos tchecos de fala alemã expulsos do país após a Segunda Guerra Mundial. O "príncipe", como é conhecido por seu título de nobreza, avisou que processaria o jornal por violar a lei eleitoral, pois esta proíbe ocultar o nome do anunciante tanto em uma campanha negativa como positiva. Poderia inclusive impugnar a realização do pleito se considerar que essa campanha teve um efeito decisivo nas urnas. A equipe eleitoral de Zeman, que dias atrás chamou de nazista a família de Schwarzenberg e depois teve que retratar-se, se distanciou do citado anúncio do "Blesk". Esta questão histórica, a dos nazistas e a expulsão da população de fala alemã após a Segunda Guerra Mundial, se transformou em protagonista da campanha, sobretudo quando Schwarzenberg criticou às claras a saída forçosa de três milhões de pessoas de solo tcheco. O chefe de Estado saliente, Vaclav Klaus, também voltou a botar lenha na fogueira ao confirmar uma notícia que explodiu na imprensa local na véspera. Nela o eurocético político de Praga afirmou que pensaria seriamente em emigrar se o chefe da diplomacia tcheca fosse eleito seu sucessor. Zeman soube explorar no eleitorado certos preconceitos históricos contra os aristocratas e os alemães - Schwarzenberg esteve exilado durante o comunismo na Alemanha e na Áustria - e lhe retratou de forma sutil como um patrício que não é suficientemente tcheco nem patriótico. Schwarzenberg, que se declara herdeiro do legado universalista do ex-presidente Vaclav Havel, de quem foi assistente e amigo, é o candidato favorito dos jovens, apesar de definir-se de centro-direita e ser o candidato mais velho. A afluência às urnas, em alguns casos, está sendo superior à do primeiro turno, quando no final se chegou a uma participação de 62%, mas há localidades onde é relativamente baixa, devido em parte à abundante neve que cobre o país. Os analistas políticos concordam que o voto jovem será decisivo neste pleito, o que pode beneficiar Karel Schwarzenberg. EFE gm/rsd (foto)











