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Julgamento do Massacre do Carandiru recomeça em São Paulo

Internacional|Do R7

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São Paulo, 15 abr (EFE).- O Fórum de Barra Funda, zona oeste de São Paulo, retomou nesta segunda-feira o julgamento dos acusados de envolvimento no "Massacre de Carandiru", ocorrido em 1992, com a eleição do júri e o início dos depoimentos. O júri foi composto por seis homens e uma mulher, após um sorteio realizado pelo juiz José Augusto Nardy Marzagão, de uma lista de mais de 20 candidatos. Posteriormente, começou o depoimento de um dos sobreviventes da ação da polícia - que entrou na Casa de Detenção do Carandiru em resposta a uma rebelião e matou 111 presidiários. Espera-se que nos próximos dias compareçam outros ex-detentos, juízes e o ex-governador de São Paulo, que estava no poder quando ocorreu a massacre, Luiz Antônio Fleury Filho. O julgamento deveria ter começado na semana passada, mas foi adiado quando uma jurada passou mal, e o juiz determinou que seria necessário renovar o júri completo, como exige a lei. A Justiça processará 79 policiais em quatro fases, dado seu alto número. No processo iniciado hoje, os acusados são 26 policiais, todos em liberdade e dos quais 24 estiveram presentes no julgado, que enfrentam acusações pela morte de 15 presos. A defesa alega que sem as provas técnicas de balística é impossível determinar que agentes dispararam e mataram, pois na operação participaram 284 soldados da Polícia Militar. Nenhum dos 284 agentes morreu e os 11 feridos da PM foram atacados com facas e paus, apesar de a polícia alegar que entrou no complexo porque os presos tinham armas de fogo. Ubiratan Guimarães, coronel da Polícia Militar que dirigiu a operação, foi condenado em 2001 a 632 anos de prisão, mas nunca foi de preso e se dedicou à vida política como deputado estadual até 2006, quando foi absolvido em uma apelação. Meses depois, foi assassinado em estranhas circunstâncias dentro de seu apartamento e sua namorada, a principal suspeita, foi declarada inocente do crime por falta de provas. Além disso, o então diretor do complexo, José Ismael Pedrosa, foi assassinado a tiros em 2005 após votar em um referendo sobre a proibição do comércio de armas de fogo no país. As autoridades atribuíram o crime à principal organização criminosa de São Paulo, que nasceu nos presídios paulistas após o massacre. O Carandiru foi parcialmente demolido em 2002 para a construção de um parque ecológico, duas escolas técnicas e uma biblioteca. EFE wgm/tr (foto)

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