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Kerry nega ter dito que Israel poderia se tornar um Estado de apartheid

Internacional|Do R7

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Washington, 28 abr (EFE).- O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, negou categoricamente nesta segunda-feira ter afirmado que a solução de um Estado "unitário e binacional" para o conflito entre israelenses e palestinos levaria a uma situação de apartheid como a vivida na África do Sul. "Israel é uma democracia vibrante e não acho, nem jamais declarei, de forma pública ou privada, que Israel é um Estado de apartheid ou que tenha a intenção de sê-lo", disse Kerry em um comunicado emitido expressamente para esclarecer sua posição sobre essa polêmica e intitulado "Em apoio de Israel". O secretário de Estado desmentiu dessa maneira a informação divulgada no último fim de semana com exclusividade pelo jornal americano "The Daily Beast", que garantia que Kerry tinha advertido em uma reunião a portas fechadas com outros líderes internacionais que Israel poderia se transformar em um Estado de apartheid se não se chegar à solução dos dois Estados - defendida por ele - no conflito entre israelenses e palestinos. O chefe da diplomacia americana detalhou em sua nota que sua afirmação nessa reunião foi que, no longo prazo, um estado unitário e binacional "não pode ser o Estado judeu democrático que Israel merece, nem o Estado próspero com todos os direitos que o povo palestino merece". "Isso foi o que eu disse e o que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse. Enquanto a ministra da Justiça, Tzipi Livni, e os ex-primeiros-ministros Ehud Barak e Ehud Olmert invocaram o fantasma do apartheid para destacar os perigos de um estado unitário no futuro, é melhor que essa palavra seja deixada de fora do debate aqui em casa", ressaltou Kerry. O departamento de Estado americano publicou hoje esse comunicado após a polêmica e num dia em que alguns representantes políticos americanos da oposição republicana pediram que Kerry se desculpasse com um parceiro tão vital para os EUA como Israel. "Não permitirei que meu compromisso com Israel seja questionado por ninguém, sobretudo com propósitos partidários e políticos. Por isso, quero ser meridianamente claro sobre o que acho e o que não acho", afirmou Kerry em sua nota. "Tenho experiência suficiente para saber que as palavras podem ser mal interpretadas, mesmo quando ditas de forma involuntária", afirmou. "Se pudesse rebobinar a fita, teria escolhido uma palavra diferente para descrever minha firme convicção de que a única maneira de se ter um Estado judeu e duas nações com dois povos vivendo lado a lado, em paz e com segurança no longo prazo, é através da solução dos dois Estados", acrescentou. Esta não é a primeira vez que Kerry se vê obrigado a pedir desculpas após ser mal interpretado por seus comentários sobre Israel no contexto das conversas de paz com os palestinos. Alguns membros do gabinete do governo israelense, entre ele o ministro da Economia Naftali Bennett, e o da Defesa, Moshe Ya'alon, atacaram Kerry no início de fevereiro, depois que o secretário de Estado advertiu que Israel deveria se preocupar com uma possível campanha de boicote contra o país, caso as negociações de paz fracassem. O tom das críticas dos membros do Executivo israelense foi tal que Kerry teve que telefonar para Netanyahu para reforçar sua rejeição "incondicional" às campanhas de boicote e explicar que tinha sido mal interpretado. EFE cg/rpr

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