Kerry repreende Iraque por permitir aviões iranianos passarem rumo à Síria
Internacional|Do R7
Bagdá, 24 mar (EFE).- O secretário de Estado americano, John Kerry, fez neste domingo uma visita surpresa a Bagdá em que repreendeu o governo iraquiano por supostamente permitir que aviões iranianos atravessem o espaço aéreo iraquiano rumo à Síria. Em sua primeira viagem ao país como chefe da diplomacia americana, Kerry se reuniu com o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, a quem expressou sua preocupação pela falta de inspeções desses aviões iranianos "carregados de equipamento militar e combatentes" em solo iraquiano. Em entrevista à imprensa, o chefe da diplomacia americana afirmou que "a aviação iraniana ainda passa pelo espaço aéreo iraquiano e ajuda ao regime" sírio, um apoio que - sustentou - representa um "grande dilema". Para os legisladores americanos, parece contraditório que um "parceiro" como o Iraque, onde as tropas norte-americanas estiveram presentes desde sua invasão em março de 2003 para derrubar Saddam Hussein até o fim de 2011, possa ajudar agora ao regime sírio dessa maneira. Diante dessa possibilidade, Kerry reivindicou a Maliki, muçulmano xiita, que contribua para a renúncia de Assad, de confissão alauita, uma seita derivada do xiismo. No comunicado divulgado por seu escritório político, Maliki não mencionou os voos iranianos e se limitou a dizer que concordou com Kerry quanto à necessidade de chegar a uma solução política que evite mais sofrimento ao povo sírio. "Nenhum país pode se isolar do que acontece a seu ao redor", afirmou o chefe do governo iraquiano. As autoridades iraquianas inspecionaram várias vezes as aeronaves procedentes do Irã com destino à Síria na busca de armas. O ministro das Relações Exteriores iraquiano, Hoshiyar Zebari, havia anunciado no ano passado que esses controles seriam realizados de forma aleatória, depois das acusações feitas por responsáveis ocidentais. No plano interno, marcado por uma intensa instabilidade política no Iraque, a sucessão de atentados, a corrupção e a falta de serviços básicos, ambos os responsáveis analisaram a crise política, a situação de segurança, a luta contra o terrorismo e a cooperação bilateral. Kerry pediu a Maliki que garanta o direito de manifestação de forma pacífica e não atrase as eleições nas províncias sunitas de Ninawa (norte) e Al-Anbar (oeste), cenário de protestos contra o governo. Está previsto que o Iraque realize em 20 de abril eleições provinciais, exceto na região autônoma do Curdistão, apesar do Executivo ter suspendido recentemente a convocação nessas duas províncias "rebeldes" por motivos de segurança após sucessivos protestos e o assassinato de vários candidatos eleitorais. A visita de Kerry coincidiu com o décimo aniversário da invasão americana do Iraque, cujo polêmico legado divide os iraquianos, e foi precedida pela viagem que realizou junto ao presidente americano, Barack Obama, por Israel, Palestina e Jordânia. Antes de viajar para o Iraque, o secretário de Estado americano teve reuniões de trabalho com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, para encaminhar o processo de paz. Kerry também se reuniu ontem em Amã com o ministro jordaniano das Relações Exteriores, Nasser Yudeh, com quem abordou o processo de paz entre israelenses e palestinos, e o desenvolvimento do conflito na Síria. O secretário de Estado americano, que deve voltar a visitar a região em abril e maio, tenta conseguir que israelenses e palestinos retomem o diálogo, completamente paralisado desde o fim de setembro de 2010. EFE sy-bds/tr











