Letta obtém "sim" definitivo do Parlamento italiano para seguir adiante
Internacional|Do R7
Roma, 2 out (EFE).- O governo de coalizão da Itália, presidido pelo social-democrata Enrico Letta, recebeu nesta quarta-feira o "sim" parlamentar definitivo para seguir com o Executivo, ao superar também na Câmara dos Deputados italiana a moção de confiança proposta pelo primeiro-ministro. Cinco meses após sua chegada à frente do Executivo, a câmara renovou seu respaldo com 435 votos a favor e 162 contra, um resultado um pouco inferior aos 453 apoios que alcançou no dia de sua posse neste plenário no último dia 29 de abril. O resultado desta votação chega depois que, nesta mesma manhã, Letta conseguiu superar também a crucial questão de confiança no Senado, onde sua maioria absoluta tinha ficado comprometida após o anúncio da renúncia dos cinco ministros do partido do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi no sábado passado. Em uma muito particular sessão no Senado, na qual tanto ou mais que Letta foi protagonista o próprio Berlusconi, o governo de coalizão recebeu o apoio majoritário de 235 senadores, inclusive de "il Cavaliere", que na última hora anunciou sua intenção de votar "sim" após ter aberto a crise de governo e exigido eleições antecipadas quase até o momento da votação. O apoio de Berlusconi a Letta evitou uma divisão "de fato" no sentido do voto parlamentar, depois que a ala moderada de seu partido, o Povo da Liberdade, tomou distância de sua posição de ruptura com o Executivo, mas esta questão não conseguiu fechar as feridas já abertas na formação. O partido de Berlusconi votou também na câmara a favor do Executivo, que veio sentindo nas últimas semanas uma grande instabilidade, com repercussão nos mercados, em torno das consequências da possível expulsão de Berlusconi do Senado por sua condenação a quatro anos de prisão por fraude fiscal. Letta abriu a sessão na câmara com um resumo do discurso de programa de governo pronunciado no Senado e fazendo especial insistência no fato de que a Itália assumirá durante o segundo semestre do ano que vem a presidência rotativa da União Europeia, motivo pelo qual precisa de um Executivo estável. O primeiro-ministro da Itália disse que no ano que vem começa no Parlamento Europeu uma nova legislatura, que há de deixar para trás os últimos anos de "atraso, austeridade e crise de identidade nos quais a Europa jogou na defensiva e não deu passos adiante". "A Europa não são os outros, a Europa somos nós. A atenção que toda Europa deu à questão italiana nestes dias é uma atenção vinculada ao papel que a Itália pode desempenhar", declarou Letta. EFE mcs/rsd












