Líder da Al Qaeda pede que islamitas egípcios abandonem a democracia
Internacional|Do R7
Cairo, 3 ago (EFE).- O líder da rede terrorista Al Qaeda, Ayman al Zawahiri, pediu aos islamitas do Egito neste sábado que abandonassem o caminho da democracia e acusou os EUA e os cristãos do Egito de estarem por trás da deposição de Mohammed Mursi. Em uma gravação de áudio, divulgada em sites utilizados habitualmente pelos islamitas, Zawahiri disse aos seguidores de Mursi que "a legitimidade não está nas eleições e na democracia, mas na sharia (lei islâmica)". Desde o golpe contra Mursi no dia 3 de julho, os islamitas exigem sua restituição. Dois acampamentos de protesto foram montados no Cairo e várias manifestações foram feitas para exigir a volta de presidente deposto e que, em algumas ocasiões, acabaram em conflitos com dezenas de mortos. "Os cruzados, os laicos, o Exército pró-americano, os partidários de Mubarak (ex-presidente egípcio) e alguns vinculados com os islamitas trabalharam com o dinheiro do Golfo e os planos dos EUA para derrubar o governo de Mohammed Mursi", assegurou Zawahiri. Ele acusou os cristãos, que representam quase 10% da população egípcia, e o papa Teodoro da igreja copta de também tentarem destituir Mursi para "criar um Estado copta no sul do Egito". O líder da Al Qaeda, de nacionalidade egípcia, criticou os islamitas que formaram partidos políticos no Egito, afirmando que a "sharia" não estipula a escolha de "um presidente de um estado laico e nacionalista". Durante o pronunciamento, Zawahiri também atacou políticos liberais como Mohamed ElBaradei, atual vice-presidente para as Relações Internacionais do Egito, e os ex-candidatos presidenciais Hamdin Sabahi e Amre Moussa. Todos eles formaram a coalizão chamada Frente de Salvação Nacional, de oposição aos islamitas e um ator de destaque nos protestos que levaram ao golpe militar contra Mursi. A gravação, cuja autenticidade não pôde ser verificada, foi publicada dois dias depois de o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmar que o Exército egípcio não tomou o controle do país com a derrubada de Mursi, mas fez a "restauração da democracia". O discurso de Zawahiri também coincide com um alerta mundial para todos os cidadãos americanos por uma ameaça não especificada da Al Qaeda, que levou ao fechamento, no próximo domingo, de várias embaixadas no Oriente Médio e norte da África, entre elas a do Cairo. EFE mv/rpr












