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‘Lua de mel’ entre Putin e Kim Jong-un alonga guerras e ameaça o mundo com conflito nuclear

Russo selou pacto de defesa mútua em caso de agressão com Coreia do Norte e enviou recado à Coreia do Sul, que afeta EUA e Europa

Internacional|Do R7, com Estadão Conteúdo

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Isolados, Putin e Kim Jong-un vivem 'lua de mel' para trocar armas, munições, mísseis e comida Montagem/Divulgação/KCNA – 20.06.2024

O presidente russo, Vladimir Putin, selou uma parceria estratégica com a Coreia do Norte — chamada de “aliança” pelo seu par, o ditador Kim Jong-un — que prevê a defesa mútua caso qualquer um dos territórios dos dois países seja atacado. Embora nem Putin nem Kim tenham mencionado diretamente, trata-se de um recado velado ao Ocidente — veja fotos do encontro na galeria abaixo.

O pano de fundo é a promessa de países ocidentais, como Holanda e Dinamarca, de enviar caças F-16 para a Ucrânia enfrentar as tropas do Kremlin. A França também sugeriu mandar caças Mirage, fabricados pela Dassault, expoente da aviação militar francesa. Até agora, nenhum avião chegou aos ucranianos, mas os soldados de Zelensky já estão em treinamento.

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Putin foi recebido no aeroporto de Pyongyang pelo ditador Kim Jong-um de madrugada e com tapete vermelho — isso é incomum entre chefes de estado. Enquanto a ditadura norte-coreana se interessa pela tecnologia espacial e mísseis russos, capazes de carregar ogivas nucleares, o Kremlin quer munições para usar na Ucrânia.

Lua de mel Putin-Kim

Russo Vladimir Putin e ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, vivem 'lua de mel' para negociar armas, munições e ameaçar o mundo com bomba nuclear Divulgação/KCNA – 20.06.2024

Na quinta-feira (20), Putin voou de Pyongyang para o Vietnã, onde mirou, numa mensagem direta, a Coreia do Sul, tecnicamente em guerra com a vizinha do Norte há décadas e com a qual cultiva péssima relação. O russo disse que seria “um erro grande” dos sul-coreanos enviarem armas para a Ucrânia, país invadido pelas tropas do Kremlin em 2022.

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“Quanto ao fornecimento de armas letais à zona de combate na Ucrânia, seria um erro muito grande. Espero que isso não aconteça. Se acontecer, então nós também tomaremos as respectivas decisões que a Coreia do Sul tomar. Provavelmente, não ficará satisfeita”, disse Putin em entrevista coletiva segundo a agência de notícias russa Sputnik.

A mensagem surtiu efeito, e a Coreia do Sul, apesar de condenar o pacto Rússia-Coreia do Norte, avisou que vai reconsiderar a hipótese, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap. Afinal, a Coreia do Sul teme que a Rússia abasteça a vizinha, Coreia do Norte, com mísseis.

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Russo Vladimir Putin e ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, vivem 'lua de mel' para negociar armas, munições e ameaçar o mundo com bomba nuclear Divulgação/KCNA – 20.06.2024

“Aqueles que fornecem armas acreditam que eles não estão em guerra com a gente. Eu disse, inclusive em Pyongyang, que nós nos reservamos o direito de fornecer armas para outras regiões do mundo”, advertiu Putin.

Os Estados Unidos já reagiram a Putin. Nesta sexta, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, disse que se trata de uma “decisão para a Coreia do Sul tomar”. Em seguida, completou: “Vamos dar as boas-vindas a qualquer apoio para a Ucrânia em sua luta contra a agressão da Rússia, mas, no fim, essa é uma decisão da Coreia do Sul”.

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Munição em troca de comida

Russo Vladimir Putin e ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, vivem 'lua de mel' para negociar armas, munições e ameaçar o mundo com bomba nuclear Divulgação/KCNA – 20.06.2024

De setembro de 2023 a fevereiro deste ano, a Coreia do Norte enviou aproximadamente 6.700 contêineres de munição para a Rússia em troca de comida. A informação foi dada pelo ministro sul-coreano da Defesa, Shin Wonsik, sem mencionar a fonte.

Em contrapartida, o Kremlin mandou à Coreia do Norte alimentos e peças para a confecção de armas e mísseis.

Vale lembrar que, em setembro de 2023, Kim Jong-un foi de trem de Pyongyang até a cidade de Vladivostok, na Rússia, onde ganhou mimos de Putin, como uma visita ao centro espacial do país — sonho para o ditador norte-coreano.

Corrida pela arma nuclear

Russo Vladimir Putin e ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, vivem 'lua de mel' para negociar armas, munições e ameaçar o mundo com bomba nuclear Divulgação/KCNA – 20.06.2024

A viagem à Coreia do Norte ocorreu em um momento em que Moscou necessita de mais armas para prosseguir com sua guerra na Ucrânia, uma ajuda que a Coreia do Norte nega estar fornecendo.

Kim Jong-un, por sua vez, usou a visita para barganhar ajuda para seu programa nuclear e espacial, aproveitando-se de uma Rússia que busca driblar o isolamento internacional forçado pelo Ocidente, por meio de aproximações com outras nações também alvo de sanções.

A Rússia precisa de projéteis de artilharia e foguetes, algo que a Coreia do Norte tem a oferecer e, segundo analistas, seriam compatíveis com os sistemas de armas soviéticos e russos usados na Ucrânia.

Além disso, Pyongyang teria uma capacidade de produção que ajudaria a Rússia a manter sua alta taxa de uso de munição, enquanto o Kremlin procura aumentar a produção nacional. Kim visitou uma fábrica de munições no mês passado e exibiu armazéns cheios de mísseis balísticos de curto alcance — de um tipo semelhante aos mísseis norte-coreanos que, segundo os EUA, a Rússia disparou contra a Ucrânia.

Por outro lado, Kim ganha um importante aliado que pode ajudar a continuar com seu controvertido programa de armas nucleares e a colocar satélites em órbita.


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