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Macron diz querer "irritar" os não vacinados e gera indignação

Presidente francês declarou em entrevista ao jornal Le Parisien que irá continuar com a estratégia "até o fim"

Internacional|Do R7

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Emmanuel Macron em entrevista no Aeroporto Internacional Rei Abdulaziz, na Arábia Saudita
Emmanuel Macron em entrevista no Aeroporto Internacional Rei Abdulaziz, na Arábia Saudita

O presidente francês Emmanuel Macron gerou indignação na França nesta quarta-feira (5) após confessar sua disposição de "irritar até o fim" aqueles que não se vacinaram contra a Covid-19, três meses antes das eleições presidenciais.

"Para os não vacinados, quero muito irritá-los. E vamos continuar fazendo isso, até o fim. Essa é a estratégia", reconheceu Macron em entrevista ao jornal Le Parisien e publicada na última terça-feira (4).


Suas declarações desencadearam uma tempestade na classe política, da esquerda radical à extrema direita, e alimentaram sua imagem de arrogância.

Contribuíram também para suspender novamente o debate na Assembleia Nacional, onde o governo é maioritário, sobre a aprovação de um passaporte de vacinação em substituição do atual passaporte de saúde.


O executivo quer que a nova medida seja aplicada em meados de janeiro no país, imerso em uma severa quinta onda que fez na última terça-feira 271.686 novos casos serem registrados em 24 horas, número recorde.

Se aprovados, maiores de 12 anos sem vacinação não poderão ir a restaurantes, museus, academias, cinemas ou utilizar determinado meio de transporte, mesmo que apresentem teste diagnóstico negativo em menos de 24 horas.


"Não cabe ao Presidente da República escolher entre os bons e os maus franceses", afirmou ao CNews a candidata do Partido Republicano de direita, Valérie Pécresse, dizendo que estava "indignada".

Pécresse, que algumas pesquisas deram como vencedora da eleição presidencial contra o atual presidente após sua candidatura em dezembro, também pediu aos franceses que "acabem com o período de desacato de cinco anos".


Os dirigentes presidenciais ultradireitistas, bem posicionados nas pesquisas, não hesitaram em atacar a "violência" do presidente, segundo as palavras de Marine Le Pen. Éric Zemmour, outro aspirante a presidente, disse que Macron busca "existir na campanha".

A candidata socialista, a prefeita de Paris Anne Hidalgo, e o comunista Fabien Roussel questionaram sua vontade de "unir" os franceses. O esquerdista Jean-Luc Mélenchon denunciou uma "confissão alucinante de Macron".

"Declaração de guerra"

Desde que assumiu o poder em 2017, Macron, ex-banqueiro e ex-ministro de 44 anos, tentou apagar sua imagem de político insolente próximo às elites, embora seu mandato seja salpicado de frases polêmicas.

Em entrevista concedida em dezembro, o presidente justificou essas polêmicas por sua "vontade de sacudir" o sistema, como quando garantiu que nas "estações de trem você encontra gente que fez sucesso e gente que não é nada".

Suas declarações polêmicas sobre os pobres ou desempregados também serviram de catalisador durante as manifestações do "colete amarelo" entre 2018 e 2019, que surgiram após um aumento no preço do combustível, mas acabou sendo um movimento de protesto muito mais amplo.

“Uma parte das pessoas não vacinadas pode considerar a fala de Macron como uma espécie de última provocação ou como uma declaração de guerra”, disse o especialista do instituto de pesquisas Ifop, o cientista político Jérôme Fourquet.

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Ao Le Parisien, Macron explicou que mais de 90% dos franceses já foram vacinados, mas que ainda existe uma minoria contra a vacina. “Como reduzimos essa minoria? Reduzimos, desculpe dizê-lo, incomodando ainda mais”, acrescentou.

O presidente francês busca conter o novo pico de infecções antes de confirmar sua candidatura à reeleição, algo que seus colegas, como o ex-primeiro-ministro Edouard Philippe, consideram certo, mas que o chefe de Estado reluta em anunciar.

Seu antecessor no cargo, o socialista François Hollande, renunciou em 2017 para disputar um segundo mandato, em um contexto de baixíssima popularidade. Hollande havia chegado ao Elysee em 2012 depois de derrotar o presidente cessante, o conservador Nicolas Sarkozy.

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