Mesmo com pedido de asilo pendente, autorização de trabalho e carteira de motorista, o ICE o deteve enquanto comprava um café
Zoilo Viloria, que chegou aos Estados Unidos em 2018, foi transferido para El Paso, no Texas
Internacional|Susana Erazo, da CNN Internacional
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Zoilo Viloria, um colombiano solicitante de asilo que residia em Tacoma, Washington, estava a caminho do seu trabalho na área de manutenção de um edifício. Ele e um colega decidiram parar em um McDonald’s para tomar um café.
Ao sair, viram no estacionamento agentes do ICE (Serviço de Imigração dos EUA). Minutos depois, foram detidos e colocados sob custódia da agência.
“Meu pai é uma pessoa de 64 anos e começou a responder a todas as perguntas que os agentes lhe faziam. Eles falavam espanhol e perguntaram sobre seu status migratório. Meu pai, nervoso, mostrou tudo a eles, entregou tudo e o detiveram”, conta sua filha Stephany.
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Zoilo Viloria chegou aos Estados Unidos em 2018 com um visto de turista para visitar sua família. Stephany, que é médica e residente legal, conta que seu pai tinha um negócio de táxis na Colômbia e que começou a receber ameaças que colocavam em risco sua segurança, e por isso pediram que ele ficasse nos Estados Unidos.
“Chegaram em casa um monte de panfletos (que diziam) que iam machucar a ele ou à sua família, e o nosso medo era muito grande”.
Zoilo tem uma solicitação de asilo pendente e, ao longo destes anos, obteve uma autorização de trabalho e uma carteira de motorista, além de pagar seus respectivos impostos, segundo Stephany.
No início de agosto, o Departamento de Estado anunciou que havia revogado mais de 175 mil vistos durante a administração Trump.
Por sua vez, o governo avança com uma medida prevista para revogar os vistos de potencialmente centenas de milhares de estrangeiros que entraram nos Estados Unidos com vistos temporários de turismo, educação ou negócios e posteriormente solicitaram asilo para permanecer no país a longo prazo.
Dias depois de ser detido, Zoilo foi transferido para El Paso, Texas, de onde pôde se comunicar novamente com sua família.
“Meu pai nos liga devastado, nos liga chorando porque, na transferência, os levam acorrentados pelos pés e pelas mãos, e foi um voo muito longo. Então, imagine, para uma pessoa que nunca esteve em contato com a polícia, ele é o ser humano mais correto que conheço”, conta Viloria.
A CNN Internacional verificou que Zoilo não tem antecedentes criminais nos Estados Unidos. O Departamento de Segurança Nacional disse à CNN Internacional que Viloria entrou legalmente no país em 2018, mas permaneceu mais tempo do que o autorizado.
Segundo a instituição, ele continuará sob custódia do ICE enquanto avançam os procedimentos de expulsão e terá direito ao devido processo legal. O departamento acrescentou que uma solicitação pendente não concede status legal nos Estados Unidos.
Apesar de estar detido, Zoilo não perdeu a fé e, segundo sua filha, seu jeito de ser lhe permite se manter forte.
“Meu pai sempre vê o lado bom da vida, sempre quer ajudar, é muito bondoso, muito nobre. Ele me diz: ‘Filha, comi, estava gostoso, a comida estava quentinha’, mas você não sabe como é saber em quais condições está seu pai, e ele é muito forte”, relata Stephany.
Viloria permanece detido enquanto sua família tenta conseguir uma audiência de fiança que lhe permita recuperar a liberdade. Stephany e seus familiares organizaram uma campanha para arrecadar fundos e cobrir as despesas legais.
Ela pede às autoridades que lhe permitam administrar o caso de seu pai enquanto ele permanece em liberdade.
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