Mexicanos lançam campanha para que João Paulo 2º não seja considerado santo
Ativistas afirmam que Karol Wojtyla encobriu casos de pedofilia e pedem a suspensão do processo na Igreja Católica
Internacional|Do R7, com agências internacionais

Um grupo de ativistas e acadêmicos mexicanos lançou uma campanha internacional contra a canonização do papa João Paulo 2º. Eles argumentam que o líder religioso encobriu vários casos de pedofilia.
O grupo critica Karol Wojtyla por ter apoiado, em particular, o fundador da ordem Legionários de Cristo, o sacerdote mexicano Marcial Maciel. Ele morreu em 2008 acusado de abusar de seminaristas, além de ter mantido uma vida dupla, com duas mulheres e três filhos.
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O papa João Paulo 2º se aproximou da santidade em fevereiro, depois que uma comissão de cardeais e bispos ter creditado a ele um segundo milagre desde a sua morte.
A cerimônia de canonização do religioso polonês, que morreu em abril de 2005, poderia acontecer já em dezembro. Este seria o avanço mais rápido para uma santidade dos tempos modernos.
Protestos contra o processo
Os ativistas afirmam que o papa Francisco deveria suspender o processo de canonização até que a ONU (Organização das Nações Unidas) conclua uma investigação sobre crimes sexuais na Igreja Católica.
"O Pontificado de João Paulo 2º ficou marcado por uma crise provocada pelos milhares de casos de abusos sexuais de sacerdotes contra crianças", disse o ex-padre Alberto Athié, um dos maiores opositores à ordem Legionários de Cristo.
Segundo ele, existem mais de 212 arquivos na Congregação para a Doutrina da Fé — órgão da Santa Sé que defende a tradição da igreja — relacionados à denúncias contra o polêmico sacerdote mexicano, Maciel.
Entre o grupo, que defende o fim do processo de canonização de Wojtyla, estão entidades mexicanas como Católicas pelo Direito de Decidir, Observatório Eclesial, Centro de Estudos Ecumênicos e o representativo SNAP (Sobreviventes de Pessoas que Sofreram Abusos de Sacerdotes, na foto) do México, além outras vítimas de pedofilia.
No dia 5 de julho, o papa Francisco assinou o decreto para a canonização de João Paulo 2º (1978-2005). Agora, haverá um consistório para marcar a data em que Karol Wojtyla será proclamado santo.
Papa Francisco e a pedofilia
Vítimas de abusos sexuais cometidos pelo clero afirmaram em março deste ano que o papa Francisco tem a obrigação de reformar a igreja e declarar "tolerância zero" a esses crimes.
"São Francisco foi o maior reformador da história da igreja e o papa Francisco deve fazer o mesmo", afirmou em um comunicado da SNAP dos Estados Unidos.
O argentino Jorge Bergoglio, primeiro papa oriundo do continente americano e primeira autoridade católica jesuíta, é também o primeiro a escolher o nome de Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis.
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Lembrando que a ordem dos jesuítas tem um histórico problemático envolvendo pedofilia, a SNAP estimou que Francisco "tem a grande oportunidade e o dever de prevenir os ataques atrozes contra crianças por este segmento crucial e relativamente secreto do clero católico".
"Muito pouco foi exposto sobre esta crise na América do Sul e América Central. Nos preocupamos com a segurança das crianças na igreja ali", destacou o grupo.
A SNAP se define como um "grupo independente e confidencial de autoajuda" que tem como missão "evitar o abuso mediante a exposição dos agressores, operando com grupos de apoio e utilizando os tribunais para responsabilizar as instituições da igreja".
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