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Milhares de palestinos lembram o 65º aniversário do êxodo

Internacional|Do R7

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Ramala/Gaza, 15 mai (EFE).- Milhares de palestinos lembraram nesta quarta-feira em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental o 65º aniversário da Nakba ("catástrofe", em árabe), o exílio e a usurpação nos quais vivem hoje mais de cinco milhões de palestinos, incluindo seus descendentes. A principal concentração aconteceu em Gaza, onde cerca de 10 mil pessoas marcharam com bandeiras palestinas e chaves de ferro ou madeira que simbolizam o lar perdido. Os participantes, pertencentes às distintas facções palestinas, desde a esquerda marxista até o islamismo mais conservador, exortaram em cânticos a "não ceder" na questão do direito de retorno dos refugiados e seus descendentes em qualquer eventual acordo de paz com Israel. "Não haverá paz duradoura e permanente com Israel que exclua essa questão fundamental. Não há alternativa ao direito básico de retorno do povo palestino e à aplicação das resoluções das Nações Unidas", assinalou aos jornalistas Zakaria al-Agha, diretor de refugiados da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e membro do seu Comitê Executivo. O retorno dos refugiados à sua terra está reconhecido na resolução 194 da ONU, mas sua aplicação plena nunca esteve sobre a mesa nas negociações de paz entre israelenses e palestinos, já que Israel não se considera responsável pela Nakba e descarta perder sua maioria demográfica. Na Cisjordânia, o epicentro das manifestações aconteceu em Ramala, onde se concentraram ao meio-dia cerca de cinco mil pessoas, segundo cálculos da Polícia palestina. Famílias que vivem em campos de refugiados, representantes da Autoridade Nacional Palestina (ANP), jovens e escoteiros se concentraram na Praça do Mártir Yasser Arafat e entoaram cânticos como "Perdemos nossa terra, mas não nosso direito a ela" e "Ninguém pode nos tirar a Palestina". Os representantes de campos de refugiados da Cisjordânia levavam cartazes nos quais sublinhavam que algum dia retornarão às casas que foram deixadas para trás por suas famílias ou de onde elas foram expulsas pelas milícias judias e posteriormente pelo Exército israelense entre 1947 e 1949. Cerca de 700 mil palestinos, dois terços da população que vivia então na Palestina histórica, se tornaram refugiados na Jordânia, Síria, Líbano, Gaza e Cisjordânia. Hoje, com seus descendentes, esse número chegou a 5,1 milhões, segundo dados da agência da ONU para ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA), ou 5,3 milhões, de acordo com o relatório publicado pelo Escritório Central de Estatística Palestina por ocasião da efeméride. No posto de controle militar de Kalandia, entre Jerusalém e Ramala, houve enfrentamentos entre manifestantes e soldados israelenses que deixaram vários feridos, segundo a agência oficial palestina "Wafa". Em Jerusalém, poucas dezenas de pessoas se concentraram com bandeiras palestinas no Portão de Damasco, que dá acesso à Cidade Antiga, em Jerusalém Oriental. EFE nm-Sar-ap/pa (foto)

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