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Ministra alemã da Educação renuncia após acusações de plágio

Internacional|Do R7

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A chanceler alemã Angela Merkel anunciou neste sábado a renúncia de Annette Schavan, sua ministra da Educação e amiga pessoal, acusada de plagiar sua tese de doutorado, a menos de oito meses das eleições legislativas.

"Annette Schavan apresentou sua renúncia e eu aceitei com o coração partido", declarou Merkel em uma coletiva de imprensa na chancelaria em Berlim.


"Sim, o coração partido porque Annette Schavan é uma das especialistas políticas mais reconhecidas e mais marcantes de nosso país nas áreas de pesquisa e educação", acrescentou a chanceler.

Schavan, de 57 anos, perdeu seu título de doutora na terça-feira. A Universidade de Düsseldorf (oeste) descobriu que a ministra havia "sistemática e deliberadamente" enganado a instituição ao escrever sua tese em filosofia.


"A faculdade decidiu na terça-feira invalidar meu título, eu não aceitarei esta decisão e vou apresentar uma queixa", afirmou Annette Schavan em um comunicado.

Mas, segundo ela, prefere evitar as consequências deste caso para o seu gabinete, o ministério, o governo federal e a CDU (o partido conservador de Angela Merkel). "Isso não está certo, o cargo não pode ser manchado", indicou Schavan para justificar sua demissão.


Como substituta, Merkel sugeriu o nome de Johanna Wanka, ministra da Cultura, da Ciência e Tecnologia do Estado regional de Brandenburgo (leste) de 2000 a 2009 e ministra da Ciência e da Cultura da Baixa Saxônia (centro) desde abril de 2010.

Há vários dias, a oposição e a maioria da imprensa apoia a renúncia de Schavan, que também detinha a pasta de Pesquisa.


É uma questão constrangedora para a chanceler a apenas oito meses das eleições parlamentares. Certamente, Schavan não é considerada um peso-pesado do governo, mas, ainda sim, foi vice-presidente da União Democrata Cristã (CDU) de Merkel entre 2008 e 2012 e é deputada desde 2005.

Além disso, a ex-ministra é uma amiga próxima de Merkel, o que pode afetar sua imagem com a proximidade das eleições de 22 setembro, quando a chefe de Governo tentará sua reeleição.

Duas pesquisas publicadas na sexta-feira mostraram que a opinião pública também era favorável a uma demissão da ministra. Segundo o site Zeit, 59% das pessoas entrevistadas eram favoráveis a sua saída, de acordo com a pesquisa do instituto Mafo para o jornal Handelsblatt, 67% dos alemães apoiavam a renúncia.

O título de "doutor" é muito respeitado na Alemanha, assim como em outros países germânicos. Este título é sempre mencionado em sua identidade. A chanceler é apresentada como "Sra. Dra. Angela Merkel", referindo-se a seu doutorado em ciências naturais. E Annette Schavan era "Sra. Profa. Dra."

"É trágico que a carreira de Schavan termine assim", comentou no "Spiegel online" o líder do partido social-democrata (SPD) no Parlamento, Thomas Oppermann, vendo em sua renúncia, "um ato de responsabilidade política".

Schavan é a segunda ministra de Angela Merkel acusada de plágio e obrigada a deixar seu cargo.

Em março de 2011, a ministra da Defesa Karl-Theodor zu Guttenberg foi desmascarada após ter copiado trechos inteiros de sua tese de Direito.

No momento do escândalo, Schavan havia criticado com veemência a então ministra da Defesa.

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