Ministro da Educação deposto desafia junta militar da Tailândia
Internacional|Do R7
Bangcoc, 27 mai (EFE).- O ministro da Educação deposto na Tailândia, Chaturon Chaisang, desafiou neta terça-feira a junta militar que tomou o poder no país ao não reconhecer sua autoridade e defender o restabelecimento da democracia. "Os líderes militares poderiam ter escolhido outra alternativa desde o princípio. A situação não teria se deteriorado e não teria se tornado uma desculpa para dar o golpe se tivessem cooperado com o governo para fazer cumprir a lei e tratar todas as partes com justiça", disse Chaturon em uma conferência no Clube da Imprensa Estrangeira. O chefe do exército da Tailândia, Prayuth Chan-ocha, deu um violento golpe de Estado em 22 de maio para, segundo ele, garantir a paz e a ordem após meses de manifestações que deixaram 28 pessoas e mais de 800 feridas. O ex-ministro é uma das mais de 200 pessoas que a junta militar citou após o levante e das quais pelo menos a metade continua detida. Chaturon esclareceu que não cumprir a intimação por não reconhecer a autoridade do regime e explicou que, em sua experiência, após viver golpes como estudante, parlamentar e ministro, as pessoas convocadas pelos golpistas sempre acabam detidas. O político foi um dos milhares de estudantes que reivindicaram mais liberdade em 1976 e que terminaram esmagadas pelo exército, e passou os anos seguintes na clandestinidade até que a anistia fosse aprovada. "Não tenho intenção de fugir, resistir ou lutar na clandestinidade, estou preparado para que me prendam", disse Chaturon. O ex-ministro disse que se escondeu quando foi chamado pela junta militar porque sabia que seria detido, mas tudo mudou desde que o rei legitimou o golpe de Estado (ontem), e por isso decidiu se manifestar para defender a democracia. Chaturon opinou que todas as medidas adotadas pelos golpistas desde que tomaram o poder e até receberem o respaldo do rei são ilegais, e "isto se demonstrará porque em breve vão aprovar uma anistia para se proteger". A junta militar dissolveu o governo e o legislativo, suspendeu a Constituição, exceto as disposições da monarquia, decretou toque de recolher e censurou os meios de comunicação. A Tailândia sofreu 12 golpes militares desde o estabelecimento da democracia, em 1932. O último deles foi em 2006 e é o responsável pela crise política que arrasta o país desde então. EFE zm/cd












