Morales acusa Abertis e Aena de "colher prata" na Bolívia e não investir
Internacional|Do R7
Malabo, 22 fev (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, que está em MalaboGuiné Equatorial, para participar da terceira cúpula de países da África e da América do Sul (ASA), acusou nesta sexta-feira as empresas espanholas Abertis e Aena de terem ganhado "prata e prata" em seu país e não terem feito investimentos nele. Evo concedeu uma entrevista coletiva na Sala de Conferências de Sipopo, nos arredores de Malabo, poucos dias após promulgar um decreto nacionalizando as ações que a Abertis e a Aena tinham na empresa de Serviços Aeroportuários da Bolívia Sociedade Anônima. O presidente boliviano lembrou que, segundo informações do Ministério dos Transportes, essas empresas não fizeram nenhum investimento de 1997 a 2005, "mas só colheram prata e prata". Morales afirmou que três aeroportos internacionais foram privatizados em 1997 "sob pretexto do mal chamado capitalização", pois houve, de "1997 a 2005, zero investimento". "Quando se diz capitalizar, é preciso investir e melhorar o aeroporto, o terminal. Mas no registro do Ministério de Transportes, não há nenhum investimento". Morales disse que, dos US$ 16 milhões que as duas companhias prometeram investir até 2005, apenas o fizeram com US$ 5 milhões, e em manutenção. "Investir em manutenção não significa investimento", argumentou o governante. O líder boliviano revelou que comunicou há três anos ao então presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, sua intenção de nacionalizar os três aeroportos. Porém, segundo Morales, Zapatero pediu tempo para convencer e persuadir Abertis e Aena para que investissem mais. O presidente da Bolívia denunciou que o gestor dessas empresas ganha US$ 18 mil por mês. "É o que eu ganho em 9 meses, mas sem ele fazer nenhum investimento", queixou-se. Ao afirmar que "algumas empresas só se apossam das outras para ganhar prata sem investir nada", Morales lembrou que também há boas empresas na Espanha, como a Repsol, com a qual mantêm boas relações. A Repsol "não é mais dona de nossos recursos naturais, mas parceira e prestadora de serviços, e está trabalhando sem muitos problemas", disse. "Quero dizer ao governo, povo e aos partidos políticos espanhóis que defender as empresas que se dedicam a roubar e a saquear sem investir desprestigia ao governo e o povo", afirmou Morales antes de voltar a seu país. O presidente boliviano concluiu a coletiva lembrando que "o governo espanhol se equivoca ao defender essa empresa", e garantiu que seu Executivo "vai manter relações diplomáticas com todo o mundo". EFE ao/id











