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MP do Chile investiga presidente após menção na Pandora Papers

Integrantes do Ministério Público afirmam que há antecedentes que podem constituir prova de suborno de Sebastián Piñera

Internacional|Do R7


Sebastián Piñera deixará a Presidência do Chile em março de 2022
Sebastián Piñera deixará a Presidência do Chile em março de 2022

O Ministério Público do Chile informou nesta sexta-feira (8) a abertura de uma investigação de ofício contra o presidente do país, Sebastián Piñera, após os vazamentos dos Pandora Papers revelarem supostas irregularidades na venda de suas ações em um megaprojeto de mineração em 2010 nas Ilhas Virgens Britânicas.

"O Ministério Público decidiu abrir uma investigação criminal de ofício sobre os fatos associados aos Pandora Papers", anunciou a diretora anticorrupção do Ministério Público Nacional, Marta Herrera. Segundo a funcionária, "há antecedentes que podem constituir prova de suborno, com a sua correlação de suborno, e possíveis infrações fiscais".

O ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) revelou no domingo (3) que a empresa Minera Dominga foi vendida em 2010 ao empresário e amigo da família presidencial Carlos Alberto Délano, em uma transação de US$ 152 milhões (aproximadamente R$ 837 milhões) feita em parte no paraíso fiscal caribenho.

O pagamento deveria ser feito em três prestações, mas a última estava condicionada à não declaração de proteção ambiental da área, embora a mina ameaçasse uma reserva natural com pinguins únicos, de acordo com o ICIJ.

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A proteção ambiental dependia de Piñera, que tinha tomado posse para o seu primeiro mandato poucos meses antes da venda do projeto, atualmente aprovado por um tribunal ambiental regional, mas pendente de recursos da Suprema Corte.

O objetivo central do inquérito é determinar se o contrato de venda previu a controversa cláusula da última prestação, uma questão que não foi incluída na investigação que o próprio Ministério Público abriu em 2017 e acabou sendo rejeitada.

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"O contrato em inglês nas Ilhas Virgens Britânicas não foi incorporado na investigação [de 2017], motivo pelo qual é um novo antecedente", indicou a procuradora.

Piñera, que tem uma das maiores fortunas do Chile e deixará o cargo em março de 2022, disse nesta semana que se desassociou das suas empresas antes de se tornar presidente, "há mais de 12 anos", e que a informação publicada — incluindo a cláusula controversa — já era conhecida e foi investigada em 2017.

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Segundo o presidente, a venda da empresa de mineração, que envolve um investimento de US$ 2,5 bilhões (aproximadamente R$ 13,7 bilhões) e se situa 500 quilômetros ao norte da capital, foi realizada pela sua confiança cega e que não foi consultado nem informado "precisamente para evitar qualquer indício de um conflito de interesses".

A oposição prepara uma acusação constitucional no Parlamento (impeachment) contra Piñera, que poderá levar à sua destituição da Presidência e à sua desqualificação para o exercício de cargos públicos.

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