Negociações do orçamento da UE são interrompidas por duas horas
Internacional|Do R7
Bruxelas, 8 fev (EFE).- O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, anunciou nesta sexta-feira um recesso de duas horas, até as 9h (horário de Brasília), das negociações sobre o novo projeto orçamentário da União Europeia (UE) para 2014-2020. "A reunião plenária será suspensa por duas horas", anunciou Van Rompuy, que entregou aos Chefes de Estado e de Governo sua proposta há pouco mais de três horas, com cortes importantes, que de maneira geral deixaram todas as delegações com níveis similares de insatisfação. Mal o presidente do Conselho Europeu anunciou o recesso, as delegações abandonaram o edifício Justus Lipsius, que abriga a instituição, para que seus representantes possam revisar a proposta e descansar até que a sessão seja retomada. Os 27 permaneceram na sede do Conselho desde que começaram a chegar na quinta-feira às 10h30 (horário de Brasília), já que a reunião deveria ter começado duas horas depois, embora os encontros bilaterais de Van Rompuy obrigaram a adiá-la três vezes e, no final, a reunião começou com quase seis horas de atraso. A proposta de Van Rompuy contém uma redução adicional de 13 bilhões de euros, que se soma aos 80 bilhões de euros de cortes realizados em novembro. Essa nova "tesourada" levaria os compromissos comunitários a 960 bilhões de euros, o que representaria uma redução de 33 bilhões do teto de despesa durante os próximos sete anos em relação ao período orçamentário anterior (2007-2013), disseram fontes comunitárias. Os novos números apresentados por Rompuy aos chefes de Estado e de Governo europeus estabelecem um total de 908 bilhões de euros para pagamentos, com a possibilidade de se acrescentar 12 bilhões de forma extraordinária, explicaram as fontes. O corte proposto se mantém dentro do intervalo previsto na véspera da cúpula orçamentária em Bruxelas, onde os cálculos apontavam para uma redução extra de entre 10 e 15 bilhões de euros. Resta saber se a nova proposta de Van Rompuy obterá apoio suficiente entre os Estados-membros para avançar, após o prosseguimento das discussões para decidir quais verbas serão afetadas por esse corte adicional. Segundo o documento de Van Rompuy que a Agência Efe teve acesso, o maior corte recairia sobre o capítulo "Conectando Europa", que reúne infraestruturas de transportes, energia e telecomunicações para o qual seriam destinados 29,2 bilhões de euros, ao invés dos 41,2 bilhões da proposta de novembro passado. Também haverá cortes, em menor escala, nos capítulos de competitividade, cidadania, Europa global e Relações Exteriores e Administração, enquanto o nível dos de coesão e agricultura se mantêm, e será criado um fundo para os jovens desempregados de regiões com mais de 25% de inativos no valor 6 bilhões de euros. Os novos números também deverão contar com o respaldo do Parlamento Europeu (PE). O presidente do PE, Martin Schulz, advertiu no início da cúpula que a Eurocâmara esta disposta a vetar os números que se aproximassem das cifras propostas por Van Rompuy. O presidente do grupo dos social-democratas (SD) da Eurocâmara, Hannes Swoboda, advertiu hoje que os números do novo projeto de orçamento "estão na direção errada" e reiterou sua advertência feita a alguns meses de que não haverá aprovação. "Parece que os 27 e o Conselho Europeu estão perto de chegar a um acordo para o orçamento da UE, que contém cortes em políticas prioritárias para potencializar o crescimento e o emprego", assinalou. "Os números seguem um mau caminho. Será a primeira vez na história da União Europeia que acontecerá uma redução do marco orçamentário" em longo prazo, acrescentou Swoboda, que ressaltou que "é inimaginável para o PE aprovar esses números". EFE emm/rpr (foto)











