Número de pessoas que não podem comer todos os dias aumenta em Portugal
Internacional|Do R7
Lisboa, 29 mai (EFE).- As organizações sociais de Portugal, país que sofre uma grave crise econômica, detectaram um aumento de pessoas que procuram suas sedes por não terem recursos sequer para comer todos os dias. Segundo uma pesquisa realizada pela Federação dos Bancos Alimentícios Contra a Fome, o número de portugueses sem dinheiro suficiente para viver e que passam um dia inteiro sem se alimentar aumentou 44% nos últimos três anos, coincidentes com o agravamento da crise. O estudo realizado entre setembro do ano passado e janeiro deste ano com 2 mil usuários de instituições de caridade do país apontou que 39% admitia não ter comido por falta de recurso, um número que há três anos era de 27%. Cerca de 26% das pessoas ouvidas disseram que estão em falta de alimentos ou que nos últimos seis meses vêm sentindo fome em vários dias por semana (10% a mais que em 2010). Outros 14% afirmaram que passaram pela mesma situação ao menos uma vez por semana (3% a mais que em 2010). A metade dos grupos familiares aos quais pertenciam os consultados tinha renda mensal menor que o salário mínimo de Portugal, que é de 485 euros. Aproximadamente 23% não chegavam aos 250 euros, e o restante dispunha de 351 a 400 euros. A pesquisa também revelou que 40% dos portugueses que foram aos centros de ajuda eram aposentados, um grupo que viu diminuir sua arrecadação nos últimos dois anos devido aos cortes do sistema de previdência social do programa do resgate financeiro. Os Bancos Alimentícios estimam que cerca de 2 milhões de pessoas (20 % da população do país) vivem em situação de pobreza, e 160 mil não têm dinheiro para comer carne ou pescado a cada dois dias. Os portugueses sem recursos suficientes para viver recorrem sobretudo à família (53%) e às instituições de caridade (51%) na busca por ajuda, segundo dados dessas organizações. Portugal tem uma taxa de desemprego próxima a 18% e sofre a pior recessão de sua história recente, que já dura três anos, enquanto cumpre as duras medidas de austeridade exigidas pelo resgate concedido há dois anos pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). EFE atc/dr











