O que é o ‘mel louco’ do Nepal e como esse produto, vendido pela internet, pode causar morte
Considerada ‘superalimento’, esta variedade de mel é produzida por uma espécie de abelha gigante que vive a 4 mil metros de altitude
Internacional|Do R7
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O chamado “mel louco” do Nepal, produzido pelas abelhas gigantes dos Himalaias, está sendo vendido pela internet em diversos países e pode causar intoxicações graves, incluindo queda brusca da pressão arterial e até risco de morte.
O produto contém uma toxina natural, a grayanotoxina, que interfere diretamente nos sinais elétricos do coração.
O que é o “mel louco”?
O mel louco, conhecido localmente como bhir mauri ko maha, é produzido pela abelha-das-falésias do Himalaia, também conhecida como abelha gigante do Himalaia (Apis laboriosa), a maior espécie de abelha do mundo.
Essas abelhas constroem colmeias em paredões rochosos a até 4.000 metros de altitude e se alimentam do néctar das flores de rododendro, que contém grayanotoxina.
Essa substância, concentrada no mel, é responsável pelos efeitos tóxicos.
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Quais são seus efeitos no corpo humano?
Em pequenas doses (cerca de uma colher de chá), o mel pode causar sensação de calor e leve tontura.
Em doses maiores (algumas colheres de sopa), pode provocar bradicardia (diminuição na frequência cardíaca) severa, queda de pressão, náusea, vômito e desmaios.
Em casos extremos, o consumo pode levar a colapso cardiovascular e necessidade de hospitalização imediata.
O tratamento geralmente envolve soro intravenoso e atropina, medicamento que normaliza o ritmo cardíaco.
Por que é perigoso?
O problema está na linha tênue entre dose medicinal e dose tóxica, que varia conforme a época da colheita e a região.
O mel produzido na primavera, quando os rododendros florescem intensamente, concentra níveis mais altos de grayanotoxina, aumentando o risco de intoxicação.
O risco da tradição sem informação
Entre os povos Gurung, no Nepal, o mel louco é consumido há séculos em rituais e como remédio natural para hipertensão e disfunção sexual.
Eles conhecem as doses seguras, mas esse conhecimento não acompanha o produto quando vendido online.
Hoje, o mel louco é comercializado em plataformas internacionais como um “superalimento” ou “produto psicoativo”, e muitos dos vendedores não incluem alertas claros sobre os riscos.
Há relatos de consumidores em países como Coreia do Sul, França e Catar que foram hospitalizados após ingerir o produto sem conhecimento a respeito de sua toxicidade.
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