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O que sabemos — e o que não sabemos — sobre o que causou a onda de inundações no Nepal

Cientistas investigam se um enorme deslizamento de gelo e rochas desencadeou a tragédia na Ásia

Internacional|Laura Paddison e Angela Fritz, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Nepal enfrenta inundações devastadoras devido a deslizamentos de gelo e rochas, mas as causas exatas ainda estão sendo investigadas.
  • Um deslizamento de terra poderoso, não um terremoto, foi responsável pelo tremor detectado na região.
  • Cientistas acreditam que o degelo das geleiras e mudanças climáticas desempenham papel significativo nos desastres.
  • O Nepal é vulnerável a rompimentos de lagos glaciais, mas evidências atuais não indicam que este fenômeno causou o desastre recente.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Imagens de drone mostram propriedades cobertas de lama após uma enchente repentina em Trishuli, distrito de Nuwakot, Nepal
Imagens de drone mostram propriedades cobertas de lama no Nepal Stringer/Reuters - 26.08.2026

A causa das poderosas torrentes de água que abriram um rastro de devastação pelo Nepal e pelo Tibete, engolindo cidades, estradas e pontes, ainda não está clara. No entanto, o Nepal é um dos pontos mais vulneráveis a desastres climáticos em um planeta cada vez mais quente.

Grandes extensões de gelo estão derretendo, e encostas rochosas das montanhas estão se tornando menos estáveis, mais suscetíveis a deslizamentos. À medida que as geleiras se transformam em água e formam enormes lagos em altitudes elevadas, o degelo durante o verão pode liberar esses volumes rio abaixo. Além disso, as mudanças climáticas estão provocando chuvas mais extremas, capazes de desencadear enchentes mortais.


Os cientistas ainda trabalham para determinar exatamente o que causou o desastre. Veja o que se sabe até agora e quais questões ainda permanecem sem resposta.

Provável: uma inundação provocada por deslizamento de terra

Às 8h37, no horário local, tremores na região foram inicialmente registrados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) como um terremoto de magnitude 4,4 na fronteira entre Nepal e China, ao norte de Katmandu.


Por volta do mesmo horário, uma “avalanche” de gelo e rochas, mais semelhante a um deslizamento de terra neste caso, desceu uma encosta e atingiu o rio Lhende Khola, afluente do rio Bhote Koshi, que nasce na China e segue para o Nepal, frequentemente atravessando desfiladeiros profundos.

Posteriormente, o USGS esclareceu que o tremor não havia sido causado por um terremoto, mas sim pelo próprio deslizamento de terra, excepcionalmente poderoso, que registrou energia equivalente à de um terremoto de magnitude 5,2.


Em outras palavras, não foi um terremoto que causou o deslizamento. Foi o deslizamento que provocou o tremor detectado pelos sensores.

Levará semanas para determinar as causas exatas da enchente, mas uma equipe internacional de cientistas acredita que uma enorme porção de geleira se desprendeu e caiu no vale abaixo.


“O que é difícil de explicar são os volumes gigantescos de água que vemos nesses vídeos absolutamente horríveis”, afirmou Daniel Shugar, geólogo da Universidade da Califórnia que integra o grupo de pesquisadores.

A teoria dos especialistas é que um deslizamento de rochas ocorreu ao mesmo tempo, criando uma mistura de gelo e pedras em movimento rápido que desceu a montanha. Durante a queda, essa massa também incorporou sedimentos já encharcados pela água, já que a região está em plena temporada de monções.

Os cientistas dizem que deslizamentos podem ser provocados por diferentes fatores, mas as mudanças climáticas frequentemente desempenham algum papel. O Nepal, localizado na região do Himalaia, que aquece rapidamente, abriga milhares de geleiras que estão derretendo e se tornando mais instáveis com o aumento das temperaturas.

Segundo Shugar, o calor mais intenso pode ter acelerado o colapso que levou à enchente mortal. A neve derretida pode infiltrar-se em fissuras nas geleiras e nas rochas das montanhas, enfraquecendo essas estruturas. Ainda assim, ele ressalta que serão necessárias semanas ou até meses para compreender exatamente o que aconteceu.

Improvável: rompimento de lago glacial

O Nepal é especialmente vulnerável aos chamados “rompimentos de lagos glaciais”, fenômeno em que grandes lagos formados pelo derretimento das geleiras acumulam tanta água que acabam rompendo as barreiras naturais de gelo ou terra que os contêm, lançando enormes volumes de água e detritos pelas encostas íngremes.

“Essas barreiras glaciais não são diferentes de barragens construídas pelo homem”, explicou anteriormente à CNN Tom Robinson, professor sênior da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia. “Se você pegar a Represa Hoover, por exemplo, existe um enorme lago atrás dela. Mas, se a barragem desaparecesse de repente, toda aquela água precisaria ir para algum lugar e desceria vale abaixo em ondas de inundação gigantescas.”

Pesquisas recentes mostram que a taxa de perda de gelo nas geleiras da região Hindu Kush-Himalaia, que inclui o Nepal, dobrou desde 2000. Isso representa riscos enormes para quase 2 milhões de pessoas que vivem em áreas situadas abaixo dessas formações.

Uma enchente semelhante ocorrida na mesma região no ano passado foi atribuída ao rompimento de um lago glacial no Tibete. No entanto, os especialistas ainda não apontaram qual papel, se algum, esse tipo de fenômeno teve no desastre atual.

Alguns cientistas consideram essa hipótese pouco provável.

“Até o momento, imagens de satélite indicam que não existem grandes lagos a montante do caminho percorrido pela inundação, o que permite descartar um rompimento de lago glacial”, disse à CNN Wolfgang Schwanghart, professor de geomorfologia da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha.

Menos provável ainda: chuva intensa

As condições meteorológicas recentes aparentemente não desempenharam papel importante no desastre.

Uma análise da CNN com dados de satélites e estações meteorológicas não identificou chuvas intensas e generalizadas na área ao longo da última semana.

Ainda assim, o verão é o período mais chuvoso do ano na região devido às tempestades das monções, algumas das quais atingiram a área nos últimos dias. A combinação dessas chuvas sazonais com o degelo acumulado nos últimos meses provavelmente contribuiu para manter os rios mais cheios do que o normal.

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