Logo R7.com
RecordPlus

Odebrecht fez repasses à campanha para manter ex-prefeita de Lima

Barata diz que US$ 2 milhões foram entregues em conceito de publicidade para a campanha, e mais US$ 1 milhão pelo ex-gerente municipal da cidade

Internacional|Da EFE

  • Google News
Susana ficou no cargo de 2011 a 2015
Susana ficou no cargo de 2011 a 2015

O ex-superintendente da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, confirmou nesta sexta-feira (26) a promotores peruanos que a construtora efetuou repasses à campanha contra o pedido de revogação de mandato da ex-prefeita de Lima, Susana Villarán, que ficou no cargo de janeiro de 2011 a janeiro de 2015.

Em 2013, Villarán foi questionada por um grupo de cidadãos que criticava sua gestão à frente da prefeitura na capital peruana e iniciou o processo de revogação, mas conseguiu se manter no poder após a realização de uma milionária campanha que foi criada por iniciativa popular.


Informações dadas por Barata em interrogatório nesta sexta em Curitiba apontam que US$ 2 milhões foram entregues em conceito de publicidade para a campanha, e mais US$ 1 milhão através de José Miguel Castro, ex-gerente municipal de Lima.

No entanto, o executivo brasileiro, que assinou um acordo de delação premiada com a Justiça do Peru, negou que a Odebrecht tivesse participado da posterior campanha para a reeleição da ex-prefeita, em 2015, como se chegou a suspeitar no país sul-americano.


"(Barata) tem se manifestado a respeito do apoio às campanhas da não revogação e também foi taxativo em dizer que, para o caso da campanha da reeleição, não repassou nada", afirmou à imprensa em Curitiba o promotor peruano Germán Juárez.

De acordo com Juárez, sobre o caso de Villarán, que foi abordado no quarto e último dia de interrogatórios de Barata, o ex-representante da Odebrecht no Peru "indicou que vai apresentar a documentação correspondente para identificar os pagamentos (para essa campanha)".


Já o advogado de Barata, Carlos Kauffmann, afirmou que a defesa espera a homologação do acordo com a Justiça peruana para entregar 4 mil páginas de informação proveniente dos sistemas My Web Day e Drousys.

Por meio desses sistemas, a construtora brasileira distribuía as propinas pagas em vários países latino-americanos em troca de favorecimento em licitações de obras públicas.


Com a conclusão do interrogatório nesta sexta-feira, o advogado declarou que Barata não deve mais ser requisitado, mas, "se for necessário, estará à disposição para dar novas declarações".

Kauffmann disse também que seu cliente "está muito tranquilo por estar cooperando para que a verdade prevaleça" e alertou que existe um "interesse político de algumas pessoas na não homologação do acordo".

Em fevereiro, o Ministério Público do Peru assinou um acordo de leniência com a Odebrecht. A empresa comprometeu-se a entregar documentos às autoridades do país e a pagar uma multa de cerca de US$ 185 milhões devido às propinas distribuídas a políticos e a funcionários do governo. EFE

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.