Otan diz que fronteiras da Europa não devem ser redesenhadas
Internacional|Do R7
Bruxelas, 6 mar (EFE).- O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, advertiu nesta quinta-feira a Rússia que no século 21 "não deve haver nenhuma tentativa de redesenhar as fronteiras da Europa", exigindo a retirada das tropas russas e que Moscou interrompa a escalada militar na península ucraniana da Crimeia. "Acima de tudo, exigimos que a Rússia honre seus compromissos internacionais e interrompa a escalada militar na Crimeia. Pedimos à Rússia enviar suas tropas para as bases e se abster de qualquer interferência em outras regiões da Ucrânia", declarou Rasmussen após uma reunião com o primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, na sede da Otan. "Não deveria haver nenhuma tentativa de redesenhar as fronteiras no mapa da Europa em pleno século 21", acrescentou o político dinamarquês, que reiterou o apoio da Otan à Ucrânia e ao seu direito de decidir sobre seu próprio futuro, sua soberania e sua integridade territorial, além dos direitos fundamentais do direito internacional. "Não se trata somente da Ucrânia, esta crise tem sérias implicações para a segurança e estabilidade da área euroatlântica em seu conjunto", sustentou Rasmussen. De acordo com o secretário-geral da Otan, a comunidade internacional "enfrenta a ameaça mais grave à segurança europeia desde o fim da Guerra Fria", enquanto ressaltou que a soberania, a independência e a integridade territorial da Ucrânia "são fatores fundamentais para a estabilidade e a segurança na região". No entanto, Rasmussen destacou que a Otan "considera a solução política como a única maneira" de superar este conflito e, por isso, apoia os esforços internacionais para enviar observadores à região e estabelecer um diálogo pacífico. Rasmussen também exaltou a importância do processo político na Ucrânia ser inclusivo e baseado nos valores democráticos, no respeito aos direitos humanos, às minorias e ao Estado de direito. "Um processo assim atenderia as aspirações democráticas de todos os ucranianos", sustentou o secretário-geral da Otan. Na opinião de Rasmussen, os ucranianos "mostraram uma grande determinação e coragem", enquanto as Forças Armadas do país "mostraram grande contenção sob uma tremenda pressão", algo que considerou fundamental, já que, segundo ele, "manter a cabeça fria é fundamental para frear a escalada de violência". Yatseniuk, por sua parte, assegurou que a Ucrânia "está comprometida em resolver esta crise pacificamente, e que "não há nenhuma (opção) militar sobre a mesa". Segundo o primeiro-ministro interino da Ucrânia, corresponde ao governo russo "dar um passo para trás" para "estabilizar a situação na região e não criar mais tensão entre os países e em toda Europa". Nesse sentido, Yatseniuk reiterou a Moscou o pedido de devolver aos seus soldados às bases invadidas, além de cumprir suas obrigações internacionais: "É de responsabilidade do governo russo. Eles que começaram isto, eles que têm que terminar". Yatseniuk informou que convidou o Conselho do Atlântico Norte (embaixadores da Otan) para realizar uma reunião em Kiev. Além disso, ao ser questionado sobre sua visita ao quartel-general da Otan em Bruxelas, Rasmussem considerou a mesma como "muito razoável" e disse que isso não aumentaria as tensões na região. Yatseniuk ressaltou que "não considera uma opção militar como estratégia de saída para esta crise". "Essa é a razão pela qual eu solicitei esta reunião. Seguimos achando que temos que fazer todo o possível para enfrentar esta crise com ferramentas políticas e diplomáticas", completou. Perguntado sobre a possibilidade da Ucrânia se transformar em Estado membro da Otan, o primeiro-ministro interino assegurou que essa possibilidade "não está no radar", levando em consideração que, em 2008, a Otan decidiu que a Ucrânia e Geórgia fariam parte da Aliança quando completassem os requisitos necessários. EFE cai-rja/fk











