Parlamento da Ucrânia proíbe operação antiterrorista contra manifestantes
Internacional|Do R7
Kiev, 20 fev (EFE).- A Rada Suprema (Parlamento da Ucrânia) proibiu nesta quinta-feira a operação antiterrorista anunciada ontem pelos serviços de segurança e dirigida contra manifestantes radicais que tomaram dezenas de administrações e edifícios oficiais nos últimos dois dias. Dos 238 deputados reunidos na sessão extraordinária da Rada, apenas dois se recusaram votar a favor da proibição, que foi aprovada por nove votos a mais dos que seriam necessários se a totalidade dos 450 legisladores ucranianos estivessem presentes. A maioria pôde ser alcançada, entre outras coisas, pela saída de 12 deputados do governista Partido das Regiões, que abandonaram hoje mesmo as fileiras da legenda do presidente Viktor Yanukovich. Aleksandr Yakimenko, chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU, na sigla em ucraniano), anunciou ontem a decisão de lançar uma operação antiterrorista em todo o país na qual poderia participar o exército. Um dia antes que Kiev se transformasse em uma cidade praticamente em guerra, com pelo menos 75 mortos hoje em enfrentamentos entre policiais e manifestantes, Yakimenko justificava este passo pela "escalada do confronto violento e o emprego em massa de armas de fogo por parte de grupos extremistas". O líder do partido Batkivshina, Arseni Yatseniuk, exigiu ao presidente da Rada, Vladimir Ribak, ausente na sessão, que se apresente imediatamente no Parlamento para assinar a resolução da maioria de deputados. Por sua vez, o deputado do Batkivshina, Sergei Sóbolev, ressaltou que a decisão do Parlamento já entrou em vigor e deve ser cumprida de forma imediata pelos oficiais que comandam os destacamentos de tropas nas cidades. O descumprimento do documento "significará uma violação da Constituição", advertiu o legislador opositor. Em outra resolução tomada na mesma sessão, a Rada "condenou categoricamente" a violência suscitada na Ucrânia, sobretudo no centro de Kiev, e exigiu às forças militares e policiais "pôr fim de forma imediata no emprego da força contra os cidadãos da Ucrânia". O documento aprovado pela Rada obriga às forças do Ministério do Interior a desbloquear as vias de comunicações, as ruas e as praças de Kiev, algo que na prática significaria o fim da violência com a retirada de um dos grupos que protagoniza os enfrentamentos na capital ucraniana. Em outra resolução motivada pela extraordinária situação de violência e caos em muitas cidades do país, a Rada decidiu realizar sessões todos os dias, pelo menos até que termine a atual crise. EFE aep/rsd












