Passarinho de Maduro e denúncias tomam conta da campanha na Venezuela
Internacional|Do R7
(Atualiza com declaração do reitor eleitoral). José Luis Paniagua. Caracas, 3 abr (EFE).- A afirmação do candidato presidencial do movimento chavista, Nicolás Maduro, de que o espírito de Hugo Chávez se manifestou para ele na forma de um "passarinho pequeno" e as denúncias do governo e da oposição tomam conta da campanha eleitoral na Venezuela faltando 11 dias para o pleito. Um dia depois que Maduro afirmou ter recebido uma mensagem de Chávez através dos assobios de um passarinho na terra natal do falecido governante, o também presidente interino do país voltou a contar sua história, enquanto membros da oposição reivindicam que ele seja submetido a uma "avaliação mental". "Eu contei algo muito simples que aconteceu comigo ontem, sim, aconteceu, aconteceu e estou feliz que tenha acontecido comigo, é minha espiritualidade e me deu vontade de compartilhá-la com o povo", afirmou Maduro durante um ato de campanha no estado de Táchira. Assobiando para imitar o som de uma ave, Maduro voltou a contar o episódio que ocorreu com ele em uma capela de Barinas, o estado natal de Chávez, em um momento de "grande nostalgia", porque começava a primeira campanha em 14 anos sem a presença de Chávez, morto no dia 5 de março. "Isto só nós podemos entender, vocês sabem por que só nós podemos entender? Porque o nosso amor não cabe aqui, no coração de patriotas, de bolivarianos, que temos. Somos puro amor e o amor nos leva à fé verdadeira em Cristo redentor", gritou ao público. Efetivamente ninguém na oposição o entendeu e hoje as redes sociais estavam cheias de todo tipo de brincadeiras sobre a revelação de Maduro. "Alguém que nos diz que precisamos de equilíbrio e condução política, que nos diz que está alucinando vendo um passarinho, e que esse mesmo passarinho está lhe dando instruções, obviamente, isso requer uma avaliação do equilíbrio mental do senhor Nicolás Maduro", declarou o dirigente opositor Leopoldo López aos jornalistas. As palavras do líder do partido Vontade Popular e membro da equipe de campanha de Henrique Capriles foram pronunciadas em um dia cheio de denúncias. Uma delas apontou que uma das chaves das urnas de votação está em poder de um técnico do partido governista, o que, segundo a oposição, permite sabotar o funcionamento de 45 mil dos 53.260 aparelhos. Um reitor da entidade eleitoral venezuelana, Vicente Díaz, um dos cinco com esse cargo e o único ligado à oposição, admitiu tal "falha de segurança", mas negou que isso afete o resultado final do processo. Díaz reconheceu como "certa" a denúncia de que um técnico do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) conhece a chave de um dos três tipos de urnas da votação, mas insistiu que não tem "nenhum tipo de repercussão na integridade do processo eleitoral". Previamente, a equipe de campanha de Capriles denunciou ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) o desequilíbrio evidenciado pela forma como o governo maneja o sistema público de meios de comunicação da Venezuela. Carlos Vecchio, da equipe de Capriles, apresentou hoje 35 denúncias, 25 delas pela pré-campanha e 10 relacionadas "com o dia de ontem", o primeiro da campanha oficial, e criticou a "total falta de equilíbrio na utilização dos meios públicos, que são pagos por todos os venezuelanos, para favorecer uma parcialidade política". "Isso, senhores, é corrupção", afirmou Vecchio, que pediu ao CNE que "tome as medidas para que não haja desequilíbrio e abusos". Nos últimos dias se repetiram as acusações contra o canal estatal de televisão "VTV", que respondeu afirmando sua disposição de entrevistar Capriles. A VTV também denunciou que seus jornalistas foram impedidos de cobrir os atos de campanha do candidato opositor. "Aqui a única vantagem que existe é que temos um povo majoritariamente revolucionário, patriota e chavista", disse hoje Maduro ao garantir que um estudo demonstra que existe uma "guerra suja" da imprensa contra a sua candidatura. O candidato governista, além disso, aproveitou para afirmar que tem "informações precisas" que Capriles está pronto para retirar sua candidatura e deixar o país. "Tenho informações precisas de que o candidato da direita está preparando suas malas para ir à Nova York e retirar sua candidatura", assegurou Maduro. Capriles não entrou hoje no jogo das denúncias e liderou um ato direcionado aos "bolivarianos" e "revolucionários" para pedir que os eleitores do governo não tomem uma decisão errada no dia 14 de abril. "Vocês, que lutaram por uma mudança anos atrás, que se mantiveram nessa rota da mudança, vocês têm uma responsabilidade histórica para que tudo aquilo que foi uma conquista do nosso povo não seja destruído por aquele que se diz o herdeiro", afirmou ao garantir que essas conquistas estão "em risco" com Maduro. Capriles disse que Maduro "em 100 dias está destruindo os 14 anos" do governo de Chávez. EFE jlp/pa (foto)












