Pessoas mais velhas são mais suscetíveis a vigaristas
Capacidade de julgar a confiabilidade no rosto das pessoas diminui com a idade
Internacional|Do R7

As histórias de vovós bondosas que dão todo o dinheiro que têm para trapaceiros nefastos que jogam com a sua confiança são, infelizmente, muito comuns. Agora, pesquisadores acabam de sugerir uma razão pela qual as pessoas mais velhas muitas vezes parecem ser vítima de fraudes financeiras — a nossa capacidade de julgar a confiabilidade no rosto das pessoas diminui com a idade, indica um estudo realizado nos EUA.
Shelley Taylor, psicóloga da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e seus colegas examinaram como pessoas de dois grupos etários percebiam fotos de rostos que foram pré-classificados de acordo com critérios de confiabilidade e acessibilidade. Os rostos davam indicações claras de confiabilidade, como um olhar direto e um sorriso sincero totalmente voltado para a direção dos olhos.
Embora ambos os grupos etários tenham percebido os rostos classificados como "confiáveis" ou "neutros" como igualmente confiáveis e acessíveis, os adultos mais velhos (com idade entre 55 e 84 anos e uma média de 69 anos) classificaram bem mais rostos "não confiáveis" como confiáveis e acessíveis do que os adultos mais jovens (com idade entre 20 e 42 anos e uma média de 23 anos).
"Eles não se deram conta de sinais bastante perceptíveis no rosto das pessoas", diz Taylor, acrescentando que a "maioria" dos adultos mais velhos não notou tais indicações. Os resultados foram publicados nas Atas da Academia Nacional de Ciências.
Sinal de alerta
A equipe pediu que outros 44 participantes classificassem os rostos de acordo com o grau de confiabilidade ao se submeterem a uma ressonância magnética funcional (fMRI).
Os adultos mais jovens apresentaram uma reação bastante expressiva em uma região do cérebro chamada ínsula anterior, que é conhecida por controlar os "instintos" que informam a tomada de decisões — especialmente quando expostos a rostos não confiáveis. Mas a reação dos adultos mais velhos foi quase nula, sugerindo que o seu cérebro não recomendou que eles tivessem cautela – não o bastante, ao menos.
"O cérebro de um adulto mais velho não diz 'seja cuidadoso'", explica Taylor. "Ele não recebe o sinal de alerta que um adulto mais jovem recebe."
Lis Nielsen, psicóloga do Instituto Nacional do Envelhecimento, em Bethesda, Maryland, diz que essa é a primeira vez em que alguém verifica se a forma como as pessoas mais velhas processam as informações sociais referentes à confiabilidade pode torná-las mais suscetíveis a fraudes.
Ela acrescenta que é preciso haver mais pesquisas para identificar se os resultados observados são causados por alterações cerebrais relacionadas à idade, ou se os adultos mais velhos simplesmente não têm muita motivação para procurar por indícios sociais de falta de confiabilidade, o que poderia também explicar a diminuição da atividade na ínsula anterior. Pesquisas anteriores sugeriram que os adultos mais velhos, em comparação aos mais jovens, tendem a se lembrar mais de informações positivas do que de negativas.
De qualquer forma, observa Taylor, as consequências de não identificar as pessoas não confiáveis podem ser catastróficas, então é preciso alertar as pessoas mais velhas para que sejam cautelosas, diz ela. "Limitar o contato com possíveis golpistas é de fato fundamental para que elas fiquem protegidas. Aos adultos mais velhos, eu diria que fiquem longe de vendedores que tentam pressioná-los para fazer investimentos."







