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Petro ainda não reconhece o resultado do 1º turno na Colômbia: o que acontecerá se fizer o mesmo no segundo?

País corre o risco iminente de sofrer com protestos e bloqueios após o resultado das eleições presidenciais

Internacional|Fernando Ramos, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Colômbia enfrenta tensão política com risco de protestos após o segundo turno das eleições presidenciais.
  • Gustavo Petro não reconheceu os resultados do primeiro turno, levantando suspeitas de fraude sem evidências.
  • Discursos inflamados de líderes políticos aumentam a desconfiança e podem desencadear uma crise de governabilidade.
  • A estabilidade política depende da aceitação dos resultados e da responsabilidade democrática dos líderes.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Gustavo Petro
Gustavo Petro atacou o sistema eleitoral após o fim do primeiro turno Colombian Presidency/Handout/Reuters - 31.05.2026

A democracia colombiana caminha à beira de uma crescente tensão política. Ao fim de uma campanha que expôs uma profunda polarização, denúncias de suposta fraude por parte do próprio presidente da República e o aumento da desinformação nas redes sociais, o país enfrenta um de seus maiores desafios institucionais: o risco iminente de que os resultados eleitorais não sejam reconhecidos pelos atores políticos, abrindo espaço para protestos e bloqueios após o resultado do segundo turno, neste domingo (21), no qual se enfrentam o candidato do partido de esquerda Pacto Histórico, Iván Cepeda, e Abelardo de la Espriella, do movimento político de direita Defensores de la Patria.

Após uma reunião política em Valledupar, no norte da Colômbia, o ex-senador e ex-candidato à prefeitura de Bogotá pelo Pacto Histórico, Gustavo Bolívar, fez um alerta que acendeu sinais de preocupação em diversos setores políticos e de opinião.


“Os empresários ficam avisados, os donos deste país e do poder econômico ficam avisados: se vencer a alternativa violenta e de extrema direita, este país vai pegar fogo. Porque o povo não é impotente, o povo não vai deixar que o destruam de braços cruzados. É uma pena que todos esses avanços que tivemos nestes quatro anos se percam apenas porque uma parte significativa da população — exatamente metade — acredita que a opção é eliminar o adversário”, declarou Bolívar a veículos locais e apoiadores da campanha de Cepeda.

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O presidente Gustavo Petro ainda não reconheceu os resultados do primeiro turno eleitoral, que levaram Cepeda e De la Espriella ao segundo turno. O candidato do Pacto Histórico inicialmente apoiou as declarações de Petro sobre supostas irregularidades na apuração preliminar dos votos, mas posteriormente afirmou que não havia evidências de manipulação dos resultados. Tanto observadores internacionais quanto a Registraduría Nacional, órgão responsável por conduzir e garantir o processo eleitoral, concordaram que as eleições foram transparentes e que não houve evidências de fraude.


“Se Petro não reconhecer o resultado do segundo turno, como não fez no primeiro, cairá completamente a máscara e ficará exposto um autocrata, um tirano em formação. O Exército da Pátria deverá, conforme a Constituição, restabelecer a ordem”, afirmou na terça-feira (16) o candidato presidencial Abelardo de la Espriella em publicação na rede X.

Diante do aumento das tensões políticas, alguns setores pediram moderação às campanhas e seus porta-vozes para evitar situações de ordem pública que possam resultar em atos de violência.


“Independentemente de vencer ou não o meu candidato, quem sai fortalecida é a democracia. E isso implica aceitar os resultados para validar que temos um sistema eleitoral robusto”, afirmou dom Héctor Fabio Henao, delegado para as relações entre Igreja e Estado da Conferência Episcopal da Colômbia.

As autoridades eleitorais garantiram o desenvolvimento normal do segundo turno e alertaram os partidos de que todas as garantias estão asseguradas tanto no país quanto no exterior, e que, portanto, os resultados devem ser aceitos, com acompanhamento e verificação de observadores internacionais e delegados das campanhas nos locais de votação.


“Esta semana cresce a desinformação, aumentam as notícias falsas; as narrativas enganosas invadem as redes sociais e, de alguma forma, perturbam a sociedade colombiana. Há instituições fortes, estamos articulados para garantir um processo eleitoral transparente, eficiente e íntegro. Tenham absoluta tranquilidade de que o próximo presidente da Colômbia será aquele escolhido pela maioria dos cidadãos. Sobre isso não deve haver dúvida”, afirmou em coletiva de imprensa nesta terça-feira o registrador nacional Hernán Penagos.

Analistas e entidades como a Missão de Observação Eleitoral (MOE) alertam que as atuais condições de desconfiança nas instituições eleitorais podem funcionar como gatilho para uma crise de governabilidade sem precedentes, desta vez alimentada diretamente por discursos inflamados vindos dos extremos do espectro político.

“O mais provável é que haja um aumento da instabilidade nos territórios, das tensões nas cidades e possivelmente episódios de violência direta muito semelhantes aos que vivemos em 2021, caso continuem essas ameaças de ‘incendiar o país’. Isso permite prever que, vença quem vencer, o cenário será muito complexo, dificultando garantir a governabilidade na Colômbia”, disse à CNN Jaime Arango, ex-assessor de segurança nacional e analista político.

Ao contrário de processos eleitorais anteriores, em que a violência tendia a diminuir após a divulgação dos resultados, analistas de segurança alertam que, nas condições atuais, o conflito pode começar já no dia da apuração final caso setores políticos insistam na narrativa de fraude. Ainda mais, afirmam, com um presidente em exercício participando abertamente da política, apesar das proibições expressas da Constituição e de decisões judiciais recentes.

“Isso é tentar calar um presidente da República eleito pelo voto popular. E alguns juízes ajudam nisso, dizendo que não posso falar disto ou daquilo. O último já diz que não posso falar de eleições. Não, senhor, não! E quero que meus advogados ajam imediatamente. Eu só falei de pessoas em campanha porque cometem crimes, e minha obrigação como agente público é denunciá-las”, declarou Petro nesta terça-feira durante um conselho de ministros transmitido para todo o país.

A estabilidade política na Colômbia já não depende apenas de quem obtiver a maioria dos votos nas urnas no próximo domingo, mas também da maturidade e da responsabilidade democrática dos líderes políticos e de opinião ao medir o impacto de suas declarações públicas. Em um país marcado por um conflito armado interno aparentemente interminável e por um histórico de violência doloroso, flertar com a ideia de fraude ou se recusar a reconhecer os resultados é colocar em risco a democracia e as instituições.

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