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Polêmica mensagem de Netanyahu contra voto árabe gera protestos na esquerda

Internacional|Do R7

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(Atualiza com declarações e denúncias) Jerusalém, 17 mar (EFE).- Uma polêmica postada mensagem no Facebook do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pedindo para seus simpatizantes participarem das eleições para resistir a um suposto crescimento do voto da minoria árabe foi duramente condenada pela esquerda israelense. "Nenhum líder ocidental ousaria fazer semelhante comentário racista", criticou a deputada trabalhista Shelly Yachimovich em sua página no Facebook. "Imaginem um primeiro-ministro ou presidente em qualquer democracia advertir que seu governo está em perigo porque, por exemplo, os eleitores negros estão votando em massa. É asqueroso, não?, exemplificou a ex-dirigente do Partido Trabalhista. Pouco antes, o chefe do partido Likud tinha escrito uma mensagem advertindo que a direita em Israel estava em "perigo" devido ao alto índice de participação entre a minoria árabe que, pela primeira vez na história, participa de uma eleição com uma coalizão única, que reúne quatro legendas. "Os eleitores árabes estão indo em massas às urnas. Organizações de esquerda estão os transportando", alertou Netanyahu em seu polêmico mensagem. Sua correligionária Miri Regev, uma das deputadas mais nacionalistas do Likud, inclusive precisou que o transporte era organizado por uma plataforma chamada V15, que há meses realiza uma campanha apartidária, mas destinada a substituir Netanyahu como chefe de governo. A V15 foi acusada em janeiro por partidos da direita de receber financiamento ilegal de governos estrangeiros e foi investigada sem que se chegasse a nenhuma conclusão. Também o Senado dos EUA realiza suas pesquisas sobre o tema por suposta doação ilegal por parte de um ex-funcionário americano próximo à Administração de Jimmy Carter e de Barack Obama. A legisladora Hanin Zohavi, candidata pela chamada Lista Árabe Comum, pediu ao presidente da Comissão Eleitoral, Salim Yubran, que ordene que o post seja apagado e que detenha "a campanha do Likud contra o voto árabe", informaram a imprensa local. Ahmed Tibi, da mesma coalizão, assegurou que Netanyahu estava em "pânico" pela possibilidade de perder o governo e pediu à minoria árabe que "exerça o direito ao voto como cidadãos de pleno direito". Além disso, segundo este partido, até as 13h local (9h, em Brasília) cerca de 20% dos árabe-israelenses tinham votado, abaixo do índice de participação nacional, que às 12h (8h, em Brasília) se situava em torno de 27%. À polêmica suscitada por Netanyahu, que teme que uma assistência em massa desta minoria lhe tire do poder, uniu-se pouco depois o ministro das Relações Exteriores e líder do ultranacionalista Yisrael Beiteinu, Avigdor Lieberman, ao qual as enquetes apontam um grande descenso no número de deputados. "Netanyahu também sabe que se os árabes votarem em grupo, só um Lieberman forte poderá detê-los", escreveu em outro polêmico mensagem do Twitter. Quase 5,9 milhões de israelenses irão hoje às urnas para escolher os deputados da 20ª legislatura e o 34° governo do país, após seis anos sob o mandato de Netanyahu, que aspira sua terceira reeleição consecutiva. O voto árabe pode ser crucial para que a União Sionista, de centro-esquerda, arrebate o governo do primeiro-ministro direitista, já que um voto em massa por parte desta minoria equipararia o número de deputados árabes a sua porcentagem na população de Israel, ao redor de 20%. Na última legislatura, os três partidos que representam esta minoria tiveram em conjunto apenas 10 cadeiras, do total de 120, muito abaixo de seu peso demográfico. EFE elb/ff

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