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Por que alguns navios estão passando pelo estreito de Ormuz durante bloqueio?

Estados Unidos afirmaram nesta quarta-feira (15) que o bloqueio dos portos iranianos foi ‘totalmente implementado’

Internacional|Brad Lendon, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os EUA implementaram bloqueio total aos portos iranianos, interrompendo rapidamente a economia do Irã.
  • A Camara dos Deputados afirmou que 90% da economia iraniana depende do comércio marítimo internacional.
  • Embora haja tráfego comercial no estreito de Ormuz, isso não invalida o bloqueio americano, que pode operar a longas distâncias.
  • O Comando Central dos EUA mobiliza uma força significativa para garantir a aplicação do bloqueio, inclusive com interceptações de embarcações.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Comando Central dos EUA afirmou que nenhuma embarcação violou o bloqueio Centcom via CNN Internacional - 02.04.2026

O bloqueio dos portos iranianos pelos Estados Unidos foi “totalmente implementado” e interrompeu a maior parte da atividade econômica de Teerã em apenas um dia e meio, afirmou o chefe do Centcom (Comando Central dos EUA) nesta quarta-feira (15).

“Estima-se que 90% da economia do Irã seja impulsionada pelo comércio internacional marítimo. Em menos de 36 horas desde a implementação do bloqueio, as forças dos EUA interromperam completamente todo o comércio econômico que entra e sai do Irã por via marítima”, disse o almirante Brad Cooper em uma declaração nas redes sociais.


O Comando Central dos EUA afirmou anteriormente que nenhuma embarcação violou o bloqueio desde sua implementação.

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Ao mesmo tempo, surgem relatos de algum tráfego comercial atravessando o estreito de Ormuz, o ponto estratégico entre o Irã e Omã por onde passam 20% das exportações mundiais de petróleo e 80% das exportações de petróleo iraniano.


Mas esse tráfego comercial não invalida automaticamente a afirmação de Cooper.

Dois pontos-chave:


  • Como declarado pelo Centcom, o bloqueio cobre todos os portos iranianos, tanto dentro quanto fora do estreito de Ormuz, mas não o próprio estreito. Navios sem relação com o Irã podem atravessar. Bloquear uma via marítima internacional é ilegal segundo o direito marítimo.
  • Ao aplicar o bloqueio, as forças dos EUA podem interceptar navios que transportem cargas ligadas ao Irã a dezenas de milhares de quilômetros de distância. Um navio comercial pode ser alvo em águas internacionais muito depois de deixar o estreito.

Analistas afirmam que a tecnologia moderna permite a aplicação do bloqueio a grandes distâncias.

“[Os EUA não precisam] posicionar navios no golfo Pérsico para bloquear o Irã”, disse Carl Schuster, ex-capitão da Marinha dos EUA.


Ele destacou os mais de 12 navios que, segundo o Centcom, estão em operação no bloqueio. A maioria, senão todos, está fora do estreito. Eles podem transportar equipamentos sofisticados de rastreamento e reconhecimento, conectados a sistemas aéreos e espaciais.

E, ao menos nos primeiros dias desse bloqueio, os petroleiros não devem ir muito longe. Um navio carregado pode navegar a menos de 32 km/h — pouco mais rápido que um ciclista médio.

A Marinha dos EUA também tem capacidade e alcance para perseguir qualquer embarcação que saia do golfo Pérsico por semanas, em qualquer parte do mundo.

“O bloqueio dos EUA aos portos iranianos não tem um limite geográfico definido, e os Estados Unidos podem interceptar embarcações praticamente em qualquer lugar em águas internacionais até que cheguem ao seu porto final”, afirmou o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês) na terça-feira (14).

No início deste ano, ao pressionar o governo de Nicolás Maduro na Venezuela, forças dos EUA apreenderam um petroleiro venezuelano no oceano Índico, a milhares de quilômetros de seu porto de origem.

“Tenha cuidado para não interpretar [o bloqueio] de forma literal demais como uma interdição física do próprio estreito”, disse Bjorn Hojgaard, CEO da empresa de gestão naval Anglo-Eastern.

O ISW também observou que os EUA concederam exceções ao bloqueio para cargas humanitárias e permitiram um “período de carência” não especificado para que navios neutros deixassem portos iranianos.

Seis embarcações que possivelmente tentavam furar o bloqueio foram interceptadas e obrigadas a retornar por ordem das forças dos EUA, segundo uma declaração do Centcom na terça-feira.

Enquanto isso, o Centcom afirmou estar empregando mais de uma dúzia de navios de guerra, mais de 100 aeronaves e mais de 10 mil militares na aplicação do bloqueio.

Schuster detalhou as funções das embarcações envolvidas:

  • Porta-aviões: transporta aeronaves de vigilância e caças para patrulhas aéreas de combate, além de abrigar um importante centro de comando, controle, comunicação e inteligência.
  • Navio de assalto anfíbio: também leva aeronaves de vigilância e ataque, outro centro de comando e centenas de fuzileiros navais que podem abordar navios comerciais.
  • Navio de transporte anfíbio: transporta mais fuzileiros, helicópteros e aeronaves Osprey.
  • Navio de desembarque: equipado com helicópteros de grande porte e mais fuzileiros.
  • Destróieres: “possuem sensores, velocidade e armamentos para detectar, interceptar e, se necessário, abordar, apreender e redirecionar a embarcação infratora”, disse Schuster.
  • Navio de combate litorâneo: pode realizar ações de contramedidas contra minas e rastreamento.

Segundo Schuster, a composição dessa força — grande parte operando longe do estreito de Ormuz e da costa iraniana — deixa Teerã com opções limitadas de resposta.

As pequenas embarcações de ataque da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) são projetadas para operar nas águas restritas do estreito e do golfo Pérsico, não no mar aberto do mar Arábico e além.

O Irã provavelmente ainda mantém alguns mísseis balísticos e de cruzeiro antinavio, apesar de semanas de bombardeios aéreos dos EUA no país.

Mas, mesmo quando possuía esses armamentos em maior quantidade, não há registros de que tenham atingido navios de guerra dos EUA operando no mar Arábico.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no mês passado que o Irã lançou 101 mísseis contra o porta-aviões USS Abraham Lincoln, mas todos foram interceptados.

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