Premiê de Israel pede “mandato claro” em eleição antecipada
Para chanceler palestino, Israel "mais racista" ajudaria reconhecimento de Estado
Internacional|Do R7, com agências internacionais

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu nesta quarta-feira (3) um “mandato claro” dos eleitores na eleição antecipada que convocou, e as pesquisas de opinião mostram que o líder de direita ruma para um quarto mandato à frente do governo.
Um dia depois de Netanyahu demitir membros centristas de sua coalizão de governo, líderes de partidos no Parlamento concordaram com a data de 17 de março para a eleição, e os legisladores aprovaram a dissolução do Congresso em uma votação preliminar.
Duas pesquisas divulgadas na terça-feira previram que o partido de Netanyahu, o Likud, seria o maior vitorioso no pleito, mas sem a maioria absoluta no Parlamento de 120 cadeiras, se a votação fosse realizada agora.
Isso deixaria Netanyahu em boa situação para formar o que provavelmente será o governo mais direitista dos 66 anos de história de Israel, composto por seus atuais parceiros ultra-nacionalistas e possíveis aliados dos judeus ortodoxos — mas sem a presença dos moderados, até então aliados.
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O governo de cinco partidos de Netanyahu, que assumiu no ano passado, vem se desentendendo por conta de uma série de desavenças, como o orçamento de 2015 e um projeto de lei para declarar Israel um Estado judaico, o que críticos dizem discriminar cidadãos árabes.
“A eleição a caminho trata de uma questão: quem irá liderar o país diante dos tremendos desafios que Israel enfrenta — segurança, economia, regionais”, afirmou Netanyahu em um discurso público aos parlamentares do Likud.
Ele pediu que se evite o tipo de divisão na votação da direita da eleição passada, de janeiro de 2013, que deixou sua legenda com 18 assentos no Parlamento, comparados aos 13 e 12 conquistados por partidos ultra-nacionalistas que mais tarde se juntaram à sua coalizão.
“Todo aquele que deseje oferecer um mandato claro para que um primeiro-ministro do Likud lidere o país precisar dar muitos votos ao Likud”, afirmou Netanyahu. “Esta é a principal lição de nossa experiência nos últimos anos. Este é o desafio desta campanha eleitoral”.
Israel não deveria realizar uma eleição antes de 2017, mas Netanyahu, acusando o ministro da Fazenda, Yair Lapid, e a ministra da Justiça, Tzipi Livni, de o sabotarem, repudiou ambos na terça-feira e anunciou querer desmontar o parlamento “assim que possível”.
Assim que uma votação final para a dissolução da legislatura for realizada na semana que vem, Netanyahu irá conduzir um governo agora de minoria até a posse de um novo gabinete após o pleito.
Lapid e Livni vinham ridicularizando os direitistas que predominam no gabinete e a política internacionalmente criticada de incentivar a construção de assentamentos judeus em terras ocupadas que os palestinos desejam para seu Estado.
No Facebook, Livni disse que a próxima eleição será um teste para a vontade dos israelenses de derrotar o “extremismo”.
Para o ministro das Relações Exteriores palestino, Riad al-Maliki, a antecipação das eleições em Israel pode ajudar ao reconhecimento da Palestina na comunidade internacional se, como se espera, o próximo parlamento for "mais direitista" e "racista".
Em entrevista ao jornal Al Ayyam de Ramala, o chanceler considerou que as "implicações" de um novo governo mais direitista em Israel "são claras": entre elas ser "mais racista" e apoiar leis de um "regime de apartheid".
Na primeira reação de um dirigente palestino ao anúncio feito ontem pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre a realização de eleições antecipadas, Maliki afirmou que a medida pode acelerar o reconhecimento internacional de um Estado palestino e reafirmarar "a necessidade de uma solução política" ao conflito do Oriente Médio.
"Significa que o próximo parlamento pode ser mais de direita e extremista que o atual e que pode trazer surpresas, particularmente se o partido Lar Judeu se transformar na segunda força política", explicou.
Maliki ressaltou que "todas as pesquisas de opinião indicam o retorno de Netanyahu ao poder e que o eleitorado israelense tende rumo à extrema direita".
Alem disso, advertiu que as eleições em Israel, previstas para 17 de março, não afetarão em nada à iniciativa palestina de comparecer ao Conselho de Segurança da ONU na busca de uma resolução que ponha fim à ocupação.












