Preocupados com onda de violência, pais franceses colocam rastreadores nos filhos
Em poucos dias, França se deparou com casos de assassinatos e estupro de crianças e adolescentes
Internacional|Do R7

A França tem assistido a uma crescente preocupação com a segurança de crianças e adolescentes após uma sequência de crimes chocantes. No sábado (8), o corpo de Luise, de 11 anos, foi encontrado em uma floresta nos arredores de Paris. O caso veio à tona poucos dias depois do assassinato de Elias, de 14 anos, morto ao sair de um treino de futebol, e de meses após o estupro e assassinato da universitária Philippine Le Noir, de 19 anos.
Diante da sensação de insegurança, pais têm buscado alternativas para proteger seus filhos – e muitos estão recorrendo a dispositivos de rastreamento.
Os chamados trackers vêm ganhando popularidade como uma ferramenta de monitoramento em tempo real. Com preços que variam entre € 39 (R$ 234) e € 129 (R$ 776,90), alguns desses aparelhos oferecem recursos como botão de emergência e microfone para situações de risco, dando aos responsáveis uma sensação maior de controle sobre a segurança dos filhos.
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No entanto, especialistas alertam que, embora possam ser úteis em determinadas circunstâncias, esses dispositivos não substituem políticas públicas eficazes e ações preventivas. Além disso, há questionamentos sobre o impacto do monitoramento excessivo na autonomia das crianças e adolescentes.
“Se a criança sente que está sob vigilância constante, isso pode gerar uma falsa sensação de segurança e impedir que ela desenvolva sua própria capacidade de autoproteção”, explica Samuel Comblez, psicólogo e vice-diretor da associação E-Enfance, especializada no combate à violência e ao assédio digital entre jovens. Em entrevista à Radio France internationale (RFI), Comblez também destaca que o uso desses aparelhos deve ser feito com o consentimento dos filhos, para evitar conflitos na relação entre pais e crianças.













