Presidente ucraniano se reúne com os líderes da oposição
Confrontos se agravaram nesta semana com as primeiras mortes registradas
Internacional|Do R7

O presidente ucraniano Viktor Yanukovitch recebeu neste sábado (25) os líderes da oposição numa tentativa de realizar novas negociações depois do aumento da tensão na capital, anunciou a presidência em um comunicado. No entanto, o governo declarou que os manifestantes opositores devem abandonar a praça da Independência e os prédios públicos de Kiev sob a pena de serem considerados "grupos extremistas", o que implicará o uso da força contra eles.
O boxeador Vitali Klitschko, Arseni Yatsneniuk, chefe do partido da opositora Yulia Timoshenko, assim como o nacionalista Oleg Tiagnybok participam do encontro com o governo, que pretende buscar uma saída para a crise que atinge o país há dois meses e que se agravou na semana passada com os confrontos que deixaram ao menos três mortos.
A União Europeia (UE) destacou neste sábado que espera por "passos concretos" por parte do governo.
"Minhas conversas em Kiev mostraram a necessidade de uma série de passos concretos para começar a reconstruir a confiança, pondo fim à espiral de violência e intimidação", afirmou o comissário europeu de Ampliação Stefan Füle, depois de uma visita à capital ucraniana.
Por outro lado, o ministro do Interior, Vitaliy Zajarshenko, afirmou que os manifestantes opositores devem abandonar a praça da Independência e os prédios públicos de Kiev sob a pena de serem considerados "grupos extremistas", o que implicará o uso da força contra eles.
— Abandonem os radicais. Ninguém vai impedir uma manifestação pacífica. Vão para qualquer outro lugar, um lugar seguro. Quem ficar na Praça da Independência e em prédios públicos ocupados serão considerados grupos extremistas. Em caso de perigo, teremos a obrigação de fazer uso da força.
Zajarshenko já havia advertido anteriormente que os esforços para resolver a crise sem recorrer à força era inúteis.
— Os acontecimentos dos últimos dias na capital ucraniana demonstraram que nossas tentativas de resolver o conflito pacificamente, sem recorrer ao confronto ou à força, continuam sendo inúteis.
"Nossos pedidos não foram ouvidos e estão violando a trégua", acrescentou, acusando os principais grupos opositores de não controlar os participantes mais radicais.
Em Kiev, circulam rumores de que o presidente Yanukovitch quer instaurar o estado de emergência para pôr fim aos protestos, apesar de ter assegurado à UE que não tem a intenção de fazer isso.
Por outro lado, um homem que ficou gravemente ferido nos violentos confrontos entre manifestantes e policiais no centro de Kiev na quarta-feira morreu neste sábado em um hospital da capital, informaram as fontes médicas.
Até o momento, o balanço de mortos feito pelas autoridades era de dois, enquanto que a oposição fala de cinco mortos.
Pressionado pelo movimento de contestação que tomou conta do país, Yanukovitch anunciou na sexta-feira uma reforma do governo e a introdução de emendas nas controvertidas leis sobre as manifestações, que restringiram o direito de protestar.
Yanukovitch afirmou também que espera soltar todos os manifestantes detidos.
As declarações, no entanto, não satisfizeram os opositores, que voltaram a tomar conta das ruas.
As manifestações foram desatadas em novembro para protestar contra o presidente e sua decisão de privilegiar a relação com a Rússia em detrimento de um acordo com a União Europeia.











