Primeiro-ministro centro-africano permanece em seu cargo após golpe de Estado
Internacional|Do R7
Bangui, 27 mar (EFE).- O primeiro-ministro da República Centro- Africana (RCA), Nicolas Tiangaye, permanecerá em seu cargo no novo governo que o líder rebelde do Seleka, Michel Djotodia, que se auto-proclamou presidente do país após um golpe de Estado, está formando. "O presidente tomou esta decisão para se ajustar aos acordos de paz assinados em Libreville (Gabão) em janeiro", explicou à Agência Efe Tiangaye, que até sua nomeação como primeiro-ministro em 17 de janeiro foi líder da oposição durante o governo do presidente deposto, François Bozizé. Além de manter o primeiro-ministro, o presidente golpista se comprometeu ontem durante um discurso transmitido pela rádio nacional a realizar uma transição de três anos para respeitar os acordos de paz assinados em janeiro entre o então governo da RCA, os partidos da oposição e os rebeldes do Seleka. "Nos próximos dias, vamos formar um governo de união nacional e de transição, que levará em conta todas as forças políticas do país", afirmou hoje Tiangaye, que também é um ativista pelos direitos humanos. O primeiro-ministro disse além disso que o novo governo da RCA estará aberto igualmente aos partidários do presidente deposto, algo que foi frisado por Djotodia ontem em seu discurso transmitido pela rádio. "Não estamos aqui para fazer uma caça de bruxas. Viemos para construir o país e temos a intenção de fazer isso com a ajuda de todos os filhos e as filhas da RCA, sem exceção", declarou Djotodia. A capital da RCA, Bangui, foi tomada no domingo passado pelos rebeldes da coalizão Seleka, que assumiram o poder no país após a fuga de Bozizé, que se refugiou em Camarões. A coalizão Seleka, composta por quatro grupos rebeldes, pegou em armas no norte do país em dezembro do ano passado ao considerar que Bozizé não tinha respeitado acordos de paz assinados em 2007. Estes tratados contemplavam a integração de combatentes rebeldes no Exército centro-africano, a libertação de uma série de presos políticos e o pagamento aos milicianos sublevados que optassem pelo desarmamento. Bozizé é um antigo militar com grande histórico de golpes de Estado, o primeiro deles uma tentativa fracassada contra o ex-presidente centro-africano André Kolingba, em 1982, após o qual fugiu do país. Ao seu retorno, anos depois, Bozizé voltou a desempenhar altos cargos no Exército centro-africano sob o mandato do então presidente Ange-Félix Patassé, contra quem conspirou e pegou em armas até assumir definitivamente o poder em março de 2003. Após a tomada da chefia do Estado, Bozizé venceu controvertidas eleições em 2005 e 2011. EFE hd/dk












