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Primeiro-ministro palestino renuncia

Salam Fayyad, um economista independente muito criticado pelo Fatah, deverá permanecer à frente do governo

Internacional|Do R7

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O premiê, que acaba de completar 62 anos, já havia expressado a sua intenção de deixar o cargo
O premiê, que acaba de completar 62 anos, já havia expressado a sua intenção de deixar o cargo

O primeiro-ministro palestino Salam Fayyad apresentou sua renúncia neste sábado (13), após um verdadeiro embate com o Fatah do presidente Mahmoud Abbas, desgastado nos últimos anos pelas tentativas de criar um Estado palestino viável.

O presidente Abbas aceitou a renúncia de seu premiê, com quem divergiu sobre a renúncia do ministro das Finanças, indicou a agência de notícias palestina Wafa.


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Fayyad, um economista independente muito criticado pelo Fatah, deverá permanecer à frente do governo à espera da formação de um novo gabinete.

"Fayyad se reuniu com Abbas durante meia hora na sede da presidência em Ramallah e entregou a ele oficialmente sua carta de renúncia", afirmou à AFP um alto dirigente que não quis ser identificado.


O premiê, que acaba de completar 62 anos, já havia expressado a sua intenção de deixar o cargo, depois de cinco anos de tentativas frustradas para criar um Estado palestino soberano e viável.

"Fayyad assegurou que não permanecerá à frente do governo, mesmo que o peçam", afirmou à AFP um membro do governo palestino.


Em Gaza, o Hamas, que expulsou o Fatah deste território em junho de 2007, atribuiu esta renúncia à "divergências internas no Fatah".

"Fayyad deixa o governo após crivar nosso povo de dívidas, e o Fatah deve assumir a responsabilidade porque foi ele quem o impôs desde o início, declarou à AFP Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas.

"Este evento não está ligado ao dossiê da reconciliação palestina", considerou o porta-voz, que reafirmou que seu movimento está pronto para aplicar o acordo de reconciliação com o Fatah, assinado em 2011 no Cairo, cuja maioria das cláusulas permanecem letra morta e as negociações continuam a ser constantemente adiadas.

Os líderes israelenses não fizeram nenhum comentário oficial.

A divergência entre Abbas e Fayyad esteve relacionada com a renúncia, no dia 2 de março, do ministro das Finanças, Nabil Qasis, aceita pelo primeiro-ministro, mas rejeitada pelo presidente.

Na semana passada, o Conselho Revolucionário do movimento nacionalista Fatah criticou "a política do governo palestino (de Fayyad) marcada pela improvisação e confusão em vários assuntos econômicos e financeiros".

Antes da nomeação de Qasis, em maio de 2012, a pasta das Finanças estava nas mãos de Fayyad, um independente, que a exercia em paralelo a suas funções como chefe de Governo.

Sexta-feira (12) à noite, o secretário americano de Estado, John Kerry, telefonou diretamente a Abbas para tentar resolver a crise com o seu primeiro-ministro, segundo fontes oficiais palestinas.

Washington havia indicado na quinta-feira(11) que Fayyad, que conta com o apoio dos Estados Unidos, não deveria renunciar, uma declaração que foi imediatamente denunciada como uma "ingerência" por dirigentes do Fatah.

A renúncia de Fayyad, creditado pela comunidade internacional a edificação de instituições capazes de gerir um Estado, pode comprometer o encontro entre líderes palestinos e israelenses anunciado nesta semana por John Kerry para "promover o desenvolvimento da economia na Cisjordânia" ocupada.

Kerry havia descartado na terça-feira(9) uma retomada imediata das negociações de paz ao final de uma visita de três dias a Israel e aos territórios palestinos, insistindo na necessidade de um trabalho profundo para que tenham chances de avançar.

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