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Quase metade da órbita da Terra já é ocupada por lixo espacial

Estudo aponta avanço acelerado de detritos artificiais e alerta para ameaça a missões, satélites e à permanência humana no espaço

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A órbita da Terra está congestionada, com quase metade dos objetos rastreados sendo lixo espacial, segundo estudo.
  • Atualmente, existem 33.269 objetos em órbita, dos quais 47% não possuem controle nem função operacional.
  • Detritos espaciais, mesmo pequenos, representam riscos significativos para satélites e missões, podendo causar danos irreparáveis.
  • Agências e empresas privadas buscam soluções para remover e controlar o lixo espacial, tornando a questão uma prioridade na engenharia aeroespacial.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um fragmento de detrito espacial não identificado é visto a partir da Estação Espacial Internacional enquanto reentra na atmosfera da Terra Chris Williams/Nasa

A órbita da Terra está cada vez mais congestionada por objetos sem utilidade, que permanecem circulando em alta velocidade e elevam o risco de acidentes no espaço. Um levantamento da empresa de engenharia ACCU, com base em dados da United States Space Force, mostra que quase metade dos artefatos rastreados ao redor do planeta já pode ser classificada como lixo espacial.

Segundo o estudo, existem atualmente 33.269 objetos monitorados em órbita. Desse total, 17.682 são satélites, enquanto ao menos 15.587 correspondem a corpos de foguetes descartados, componentes de lançamentos e fragmentos não identificados. Na prática, isso significa que 47% de tudo o que é acompanhado pelos sistemas de rastreamento não possui controle nem função operacional.


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O problema pode ser ainda maior do que indicam os números oficiais. Especialistas estimam que haja milhões de partículas pequenas demais para serem detectadas, como lascas de tinta, pedaços metálicos e fragmentos microscópicos desprendidos de foguetes e espaçonaves ao longo das últimas décadas.

Mesmo muito pequenos, esses detritos representam uma ameaça significativa. Muitos viajam a velocidades superiores a 27 mil km/h. Nessa condição, um fragmento de apenas um centímetro pode inutilizar uma espaçonave, enquanto um objeto de 10 centímetros é capaz de destruir completamente um satélite.


Lixo já atingiu Estação Espacial

A Estação Espacial Internacional já enfrentou episódios desse tipo. Em 2016, uma partícula microscópica provocou um pequeno rasgo de sete milímetros em uma de suas janelas. Em outras ocasiões, astronautas precisaram se abrigar em compartimentos mais protegidos por causa da aproximação de nuvens de detritos.

Casos recentes reforçaram a preocupação. Em 2024, um pequeno fragmento atingiu a estação e deixou uma marca visível em uma das janelas. Em 2025, três astronautas chineses ficaram temporariamente impedidos de retornar à Terra após um possível impacto danificar a cápsula acoplada à estação espacial Tiangong.


Embora exista risco direto para tripulações, o principal alvo dessa poluição orbital são os satélites. O relatório estima que há aproximadamente sete peças de sucata para cada dez equipamentos em operação, cenário que aumenta a possibilidade de interrupções em serviços essenciais de comunicação, navegação, meteorologia e observação da Terra.

O crescimento do problema se intensificou nos últimos anos. Desde o lançamento do Sputnik 1, em 1957, os resíduos espaciais se acumulam continuamente. No entanto, a expansão do setor privado e a redução dos custos de lançamento fizeram a quantidade de objetos disparar, com cerca de 10 mil novos itens rastreáveis adicionados entre 2020 e 2025.


O acúmulo de fragmentos aumenta a possibilidade de colisões em cadeia, fenômeno conhecido como Síndrome de Kessler. Nesse cenário, um choque gera novos detritos, que provocam outras colisões, tornando determinadas regiões da órbita tão perigosas que poderiam se tornar inviáveis para futuras missões.

China é o país com mais lixo espacial

O relatório também identifica os principais responsáveis pela poluição orbital. De acordo com uma das análises citadas, China responde por 34% dos detritos rastreáveis, enquanto os Estados Unidos e a Comunidade dos Estados Independentes, bloco liderado pela Rússia, concentram 31% cada. Outra estimativa do estudo aponta percentuais ainda maiores para esses países e grupos, reforçando a concentração da maior parte dos resíduos em poucos atores.

Somados, esses três polos são responsáveis por cerca de 96% do lixo espacial rastreável. O estudo destaca que, embora Estados Unidos e ex-repúblicas soviéticas tenham historicamente gerado grandes quantidades de detritos, muitos desses objetos já reentraram na atmosfera. No caso chinês, uma parcela maior continua em órbita.

A crescente presença de satélites comerciais, como a constelação Starlink, amplia a complexidade do cenário. Com mais equipamentos sendo lançados a cada ano, o espaço próximo à Terra torna-se progressivamente mais disputado e vulnerável.

Para enfrentar o problema, agências como a Nasa, a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial, a Agência Espacial Europeia e a Agência Espacial do Reino Unido trabalham em soluções para remover resíduos e reduzir a geração de novos fragmentos.

Empresas privadas também passaram a oferecer serviços especializados. Entre elas estão Astroscale e ClearSpace, que desenvolvem tecnologias para capturar objetos abandonados.

Entre as estratégias em estudo estão velas de arrasto para acelerar a reentrada de satélites, sistemas magnéticos de coleta e lasers apelidados de “vassouras espaciais”, capazes de alterar a trajetória dos detritos e direcioná-los para que entrem na atmosfera.

Além da limpeza, especialistas defendem mudanças no projeto das futuras espaçonaves. Blindagens mais robustas, materiais resistentes e mecanismos de descarte controlado já são considerados essenciais para reduzir o impacto da sucata sobre as missões.

Segundo os autores do relatório, a crise do lixo espacial deixou de ser apenas um desafio ambiental e passou a representar um problema técnico central para a engenharia aeroespacial.

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