Quênia: Suprema Corte ordena a liberação de sinal de TVs censuradas
Governo suspendeu programação de três canais após emissoras tentarem transmitir a 'posse não-oficial' de candidato derrotado nas eleições
Internacional|Beatriz Sanz, do R7 com agências internacionais

A Suprema Corte do Quênia ordenou nesta quinta-feira (1) que os sinais de TV das estações NTV, KTV e Citizen TV e suas respectivas rádios sejam restaurados.
O governo do país havia tirado as emissoras do ar depois que elas cobriram a posse simbólica de Raila Odinga, o candidato da oposição que se autoproclamou “presidente da Assembleia do povo”, no último dia 30. Veja a galeria de imagens.
Juntos, os três canais interditados pelo governo possuem cerca de dois terços da audiência de todo o país.
O ativista de direitos humanos Okiya Omtatah acionou a justiça queniana para que as emissoras voltassem a funcionar.
O juiz Chacha Mwita direcionou o caso para a Suprema Corte por considerar um tema urgente. A Corte só irá analisar o caso no próximo dia 14, mas até lá o governo queniano não pode interferir no sinal das redes de televisão.
Os governantes ainda não cumpriram a ordem judicial e as emissoras seguem transmitindo sua programação apenas pela internet.
Segundo o jornal local The Star, Linus Kaikai, diretor da NTV e Larry Madowo, apresentador do canal dormiram na redação com medo de serem presos por policiais à paisana que esperavam por eles na recepção do prédio onde a rede de TV funciona.
Veículos quenianos já cobram um posicionamento da ONU, mas a declaração feita por um porta-voz de que "é fundamental para a mídia poder operar livremente e relatar livremente essas situações" não foi satisfatória. Jornalistas do país se manifestaram dizendo que o desligamento das TVs é um atentado à liberdade de imprensa.
Confusão eleitoral
Em agosto do ano passado foram realizadas eleições no Quênia. O presidente que ocupava o cargo, Uhuru Kenyatta foi reeleito.
O resultado, no entanto, foi impugnado na Justiça. O opositor Raila Odinga, que tinha ficado em segundo lugar, se recusou a participar de um novo pleito e boicotou as novas eleições que aconteceram em novembro de 2017.
Kenyatta foi eleito, mas Odinga não aceitou o resultado. No último dia 30, o opositor se autoproclamou “presidente da Assembleia do Povo” em uma cerimônia. No fim do ato, a polícia interviu causando algumas cenas de violência.
Kennyata, que não estava no país, proibiu a cerimônia de ser televisionada. Os canais Citizen TV, KTV e NTV desobedeceram a ordem e transmitiram, até terem seu sinal cortado.
O ministro do Interior, Fred Matiang’i publicou uma nota na qual autorizava o desligamento do sinal das emissoras por tempo indeterminado, alegando que a “cumplicidade [das televisões] poderia ter levado à morte milhares de quenianos inocentes devido ao aumento da incitação [à violência]” durante a posse e que isso era uma “séria violação de segurança”.
Raila Odinga, líder da oposição no Quênia e candidato oficialmente derrotado nas eleições presidenciais de 2017, tomou posse como "presidente da Assembleia do Povo" em uma cerimônia não-oficial realizada em um parque de Nairóbi. A Assembleia do Povo fo...
Raila Odinga, líder da oposição no Quênia e candidato oficialmente derrotado nas eleições presidenciais de 2017, tomou posse como "presidente da Assembleia do Povo" em uma cerimônia não-oficial realizada em um parque de Nairóbi. A Assembleia do Povo foi criada pelo partido de oposição, a Super Aliança Nacional (Nasa, na sigla em inglês), como um governo paralelo ao de Uhuru Kenyatta, reeleito presidente do Quênia em outubro.



















