Regime e seus partidários recebem aliviados acordo sobre armas químicas
Internacional|Do R7
George Bagdadi. Damasco, 15 set (EFE).- O governo da Síria e seus partidários no país deram as boas-vindas e receberam com alívio o acordo entre Estados Unidos e Rússia para a destruição do arsenal químico do regime de Bashar al Assad. Tanto a imprensa governista como muitos moradores de Damasco receberam a notícia como uma garantia de que pelo menos por enquanto se afasta a possibilidade de um ataque ocidental na Síria. "Não há dúvida que foram usadas armas químicas, mas de nenhuma forma acho que o exército está envolvido. Os militares estavam fazendo grandes avanços na periferia. São os opositores que as utilizaram para provocar uma intervenção internacional após suas derrotas", disse à Agência Efe o advogado Sami Hussein, de 46 anos. "Por que os países estrangeiros se empenham em se alinhar aos grupos radicais islamitas?", perguntou o advogado. Hussein disse ainda que o "acordo é uma grande vitória para o presidente Bashar al Assad e seus aliados russos, porque não dão muito em troca de evitar um cenário de guerra. Jogaram bem com a fraqueza mais evidente de Barack Obama (presidente americano): encontrar uma saída, qualquer que fosse, para uma ação militar". Apesar de tudo e do acordo de ontem, os combates continuam na Síria. Para muitos, a guerra se transformou em parte de sua rotina cotidiana e alguns inclusive conseguiram acomodar suas vidas a essa situação, mas o sofrimento se encontra frequentemente logo após se colocar os pés nas ruas. A jovem Suad Ashi, formada em inglês, afirmou que agora todos os sírios conseguiram "respirar um pouco mais tranquilos". Para celebrar, Suad contou que iria tomar um típico café da manhã em um bairro antigo de Damasco e fumar um 'shisa', cachimbo tradicional do país. Na primeira reação oficial do governo sírio, o ministro para a Reconciliação Nacional, Ali Haidar, disse hoje em Moscou que o acordo alcançado no sábado em Genebra pela Rússia e Estados Unidos para o desmantelamento das armas químicas permitiu evitar a guerra na região. "Damos as boas-vindas a este acordo. Por uma parte ajudará os sírios a saírem da crise, e por outra evitou uma guerra contra a Síria e eliminou os pretextos para aqueles que queriam desatá-la", afirmou o ministro em entrevista à agência russa "RIA Novosti". Em sua opinião, o acordo alcançado pelo ministro russo de Relações Exteriores, Sergei Lavrov, e o secretário de Estado americano, John Kerry, "garante apoio internacional para que todos os representantes do povo sírio se sentem em uma mesa e resolvam seus problemas internos em uma próxima etapa". O acordo proposto por Kerry e Lavrov ontem prevê que Damasco entregue em uma semana um inventário sobre seu arsenal químico, que em novembro inspetores da ONU visitem a Síria e em meados de 2014 as armas químicas do regime sejam destruídas. As autoridades sírias mantêm silêncio até o momento sobre a razão pela qual decidiram aceitar a destruição de seu arsenal químico e a imprensa governista elogiou o papel mediador da Rússia para afastar o fantasma da guerra. Para o jornal "Al Thawra", próximo ao regime, "Moscou trabalhou sem descanso para alcançar um acordo com os americanos porque uma solução política é o único caminho para acabar com a crise na Síria e evitar os males da guerra e suas desastrosas repercussões sobre a região". Nesta mesma linha, o jornal pró-regime "Tishrin" elogiou o papel do governo sírio, "cuja resposta transparente como o cristal abortou a principal frente do projeto conspirativo para destruir a infraestrutura e a sociedade síria". EFE gb-er/dk











